Intoxicação Coletiva na Academia C4 Gym: Investigação Aprofunda-se
No último sábado (7), a professora Juliana Bassetto, de 27 anos, faleceu após uma aula de natação na academia C4 Gym, localizada no Parque São Lucas, zona leste de São Paulo. O caso, que já mobilizou a Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo, aponta para uma série de irregularidades e negligências que podem ter contribuído para a tragédia.
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Até o momento, sete pessoas estão hospitalizadas, incluindo uma criança de apenas cinco anos, que apresentou quadro de intoxicação e teve o estado de saúde agravado após frequentar a piscina.
A investigação inicial revelou que a professora Bassetto entrou em contato com gases tóxicos gerados por produtos químicos utilizados para a limpeza da piscina. Os sócios da academia, Cesar Bertolo Cruz, Celso Bertolo Cruz e Cezar Miquelof Terração, prestaram depoimento à polícia na quarta-feira, mas foram acusados de displicência e de tentar dificultar as investigações.
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O delegado Alexandre Bento, do 42° DP (São Lucas), cita que os sócios orientavam o funcionário Severino Silva, de 43 anos, que não possui formação técnica para a função, quanto à mistura e dosagem dos produtos químicos, via mensagens de celular.
A polícia aguarda o laudo necroscópico da professora Bassetto, além dos laudos periciais realizados na academia e nos produtos químicos utilizados por Severino, para confirmar as causas da morte e das internações. A principal linha de investigação é que o cloro pode ter sido misturado com outro cloro de tipo ou marca diferente, ou com algum produto químico inadequado, gerando uma reação química tóxica.
O delegado Bento ressalta que os relatos indicam a inadequação na utilização de cloro em quantidades excessivas, por pessoas sem habilitação profissional ou conhecimento técnico, empregada de forma consciente e deliberada pelos sócios da empresa C4 Gym, visando exclusivamente à vantagem financeira (lucro).
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Ministério Público e Interdição da Academia
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) instaurou um inquérito civil para apurar se as franquias da rede operam sem o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB). A Promotoria de Justiça de Habitação e Urbanismo determina que a academia apresente uma relação completa das unidades em funcionamento, detalhes de como os contratos de franquia são firmados, além de informações sobre eventuais irregularidades.
Segundo informações preliminares, a empresa opera por meio de sistema de franquias, havendo indícios de que algumas unidades funcionariam sem o AVCB. Após o episódio, a Subprefeitura de Vila Prudente interditou a academia C4 Gym devido a uma “situação precária de segurança” e pela ausência do Auto de Licença de Funcionamento, o alvará, uma vez que o estabelecimento possui dois CNPJs vinculados à atividade exercida no endereço. “É uma situação nebulosa.
Há dois CNPJs no local. Um apresenta e o outro não”, disse o delegado Alexandre Bento.
Investigações e Pedido de Prisão Preventiva
A Polícia Civil ampliou o número de vítimas para sete, após utilizarem a piscina da academia C4 Gym. A mais recente vítima identificada é uma criança de apenas cinco anos, que apresentou quadro de intoxicação e teve o estado de saúde agravado após frequentar a piscina.
Diante das evidências reunidas até o momento, o delegado responsável pelo caso, Alexandre Bento, solicitou à Justiça a prisão preventiva dos três sócios da academia por dolo eventual — quando não há intenção direta de matar, mas se assume o risco de provocar a morte ao agir com negligência.
Um manobrista que também atuava como piscineiro afirmou que recebia instruções por meio de mensagens de WhatsApp para realizar o tratamento químico da água. Ele relatou ainda que, ao informar a um dos sócios que uma mulher havia passado mal e sido levada ao hospital, recebeu como resposta a palavra “paciência”.
De acordo com o depoimento, após a confirmação da morte de Juliana Basseto, o mesmo sócio teria orientado o funcionário a deixar o local.
