Um agente voluntário que fazia parte do programa de segurança comunitária da Prefeitura de Florianópolis foi afastado nesta quinta-feira, 5 de março de 2026, após um vídeo chocante viralizar nas redes sociais. O registro, capturado no início de fevereiro, mostrava um grupo de voluntários abordando um homem em situação de rua no centro da capital catarinense.
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A situação gerou grande repercussão e levantou sérias questões sobre a atuação do grupo.
Detalhes da Abordagem e Ameaças
As imagens mostravam cinco integrantes do grupo cercando o homem, que estava sentado em um banco da Rua Vidal Ramos, com seus pertences. Durante a abordagem, um dos agentes utilizou linguagem agressiva, proferindo insultos e ameaças. O morador de rua relatou que havia recebido permissão do proprietário de um prédio vizinho para dormir ali, mas o voluntário rebateu, afirmando que isso não importava e ameaçando removê-lo do local diariamente.
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Em outro momento, outro agente sugeriu que o homem poderia ser preso por desacato.
Investigação e Afastamento
Após a divulgação do vídeo pela Ponte Jornalismo, a Secretaria Municipal de Segurança e Ordem Pública (SMSOP) iniciou um processo administrativo para apurar a conduta dos envolvidos. A pasta confirmou o afastamento de um dos voluntários, que também é chamado de “agente de segurança de ordem pública comunitária”.
A secretaria ressaltou que as atividades dos agentes comunitários são supervisionadas e submetidas a avaliações periódicas para garantir o cumprimento das normas do serviço público.
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Contexto e Controvérsias
O grupo de voluntários foi criado no final do ano passado, após a aprovação de um projeto de lei pelo prefeito Topázio Neto (PSD). No entanto, a atuação do grupo tem sido alvo de críticas desde o início, com especialistas e opositores da gestão municipal questionando a legalidade e a ética da abordagem.
A principal alegação é que, por não serem servidores públicos com poder de polícia, os agentes não possuem autorização legal para realizar abordagens coercitivas ou ameaçar detenções.
Denúncia e Apelo Ideológico
A denúncia sobre o caso foi encaminhada ao Ministério Público de Santa Catarina por parlamentares da oposição, que apontam possível abuso de autoridade. O programa de Agentes Comunitários de Segurança permite a participação voluntária de moradores em atividades de apoio à Secretaria de Segurança e Ordem Pública, mas a lei não detalha as funções operacionais que os participantes podem exercer.
A iniciativa, que ganhou o apelido de “ICE de Floripa” nas redes sociais, reacendeu o debate sobre a segurança pública na cidade.
O prefeito de Florianópolis defendeu o programa após a repercussão do vídeo, classificando as críticas como provenientes de “uma turma extremista”. Ele argumentou que a população da cidade exige mais ordem e segurança nos espaços públicos.
