Água-vivas e anêmonas dormem para proteger cérebros! Estudo inovador na Nature revela que animais marinhos entram em repouso para evitar danos ao DNA. Descoberta surpreendente com implicações para o Alzheimer
Um estudo recente, publicado na revista Nature, lança luz sobre um comportamento surpreendente em animais marinhos, como água-vivas e anêmonas-do-mar. Esses organismos, que não possuem cérebros complexos, entram em estados de repouso que se assemelham ao sono humano.
O objetivo principal desse período de descanso é proteger seus neurônios contra danos ao DNA, segundo a pesquisa.
Os resultados reforçam a ideia de que o sono surgiu como um mecanismo fundamental de manutenção celular, antes mesmo da evolução de sistemas nervosos complexos. A pesquisa demonstra que, mesmo em animais com redes neurais distribuídas, a atividade celular segue um padrão claro: o acúmulo de danos ao DNA aumenta quando o animal está ativo e diminui significativamente durante o período de repouso.
O estudo analisou duas espécies que são consideradas próximas das primeiras formas de vida com neurônios: a água-viva Cassiopea andromeda e a anêmona Nematostella vectensis. Ambas apresentam ciclos regulares de sono, durando cerca de um terço do dia, com horários bem definidos.
A água-viva, por exemplo, tende a descansar à noite, com cochilos mais curtos durante o período da tarde. Já a anêmona dorme principalmente ao amanhecer.
Em todos os casos, a redução nos danos ao DNA neuronal coincide com o período de repouso. Essa descoberta é importante porque os neurônios não se regeneram por meio da divisão celular, o que significa que sua preservação é crucial para a sobrevivência desses animais.
Embora o estudo seja um passo inicial, os pesquisadores acreditam que ele tem implicações importantes para a compreensão de doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer, que se caracterizam pelo acúmulo de danos celulares ao longo do tempo. A pesquisa também pode ajudar a explicar fenômenos observados em humanos, como o “sono local”, onde certas áreas do cérebro entram em repouso mesmo durante a vigília.
Os próximos passos da equipe incluem investigar o comportamento em esponjas marinhas, que não possuem sistema nervoso, e em peixes-zebra, um modelo amplamente utilizado em pesquisas neurológicas.
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