O economista Mansueto Almeida, ex-secretário do Tesouro Nacional, alertou sobre a necessidade urgente de um ajuste fiscal no Brasil. Em sua fala no CEO Conference Brazil 2026, Almeida destacou que o crescimento acelerado dos gastos públicos federais nos últimos quatro anos, impulsionado principalmente pelo aumento da arrecadação, não é sustentável.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Ele projetou que, entre 2024 e 2027, o país enfrentará um ajuste fiscal focado em cortes de despesas.
Crescimento Excessivo e Arrecadação
Almeida apontou que o crescimento real das despesas públicas federais, que atingiu 9% de 2014 a 2022, com a pandemia no meio, deverá ultrapassar 20% em apenas quatro anos. Ele ressaltou que grande parte da melhora no resultado primário foi resultado do aumento da carga tributária, e não de cortes nas despesas.
LEIA TAMBÉM!
Essa situação gera um cenário preocupante para a economia brasileira.
Taxas de Juros e Dívida Pública
O economista alertou que, com essa arrecadação extra, o Brasil enfrenta a maior taxa de juros real do mundo, atualmente em 15% ao ano, e um déficit nominal médio de 8,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Ele enfatizou que essa situação não representa equilíbrio ou sustentabilidade, e que o serviço da dívida pública explodiu.
Ciclo Virtuoso e Críticas ao Arcabouço Fiscal
Almeida explicou que, com o controle de gastos, houve redução do déficit, queda nos juros e melhora na percepção de risco, criando um ciclo virtuoso doméstico. No entanto, ele criticou o atual arcabouço fiscal, que perdeu credibilidade com o tempo devido à criação de programas fora da regra.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Ele acredita que o Brasil precisa evitar repetir os erros dos últimos anos.
Desafios Econômicos e Projeções Futuras
O economista ressaltou que o crescimento econômico observado após o fim da pandemia partiu de uma base fraca, com desemprego elevado e espaço para reabsorver mão de obra. Ele projeta que, com o desemprego em 5,1% e o crescimento da força de trabalho em 0,8% ao ano, crescer 2% ao ano já será um desafio.
Ele também destacou que a produtividade, com otimismo, deve crescer 1%. Sem ajuste fiscal, a dívida pública continuará crescendo rapidamente.
