Amazônia e tênis Veja: A jornada surpreendente da borracha que veste o mundo

A Jornada da Veja: Da Seringa ao Tênis
Antes das nove da manhã, Nilva da Cunha Lima já percorria a estrada de seringa, um trabalho que aprendeu desde criança com a mãe. Ela se movia com agilidade pela floresta, fazendo cortes precisos nos troncos das árvores para extrair o látex, um processo que transformava a seiva em um material valioso, escoando-se em pequenos recipientes presos à casca.
“Com oito anos, eu já andava nessas estradas com a minha mãe”, conta Nilva, demonstrando a tradição familiar que sustenta a produção. Após essa atividade, ela retornava para casa, preparando o café e se preparando para retornar à mata, onde continuaria a coleta do material que já havia começado a escorrer horas antes.
A Origem da Marca Veja
A rotina de Nilva e de outras famílias extrativistas na Amazônia é a base da borracha utilizada nos tênis da marca Veja, criada em 2004. A empresa, fundada pelos franceses Sébastien Kopp e François-Ghislain Morillion, surgiu com a intenção de oferecer uma alternativa aos métodos de produção tradicionais, que muitas vezes envolviam condições de trabalho precárias em países distantes.
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A estratégia da Veja foi estruturar uma cadeia de produção própria, priorizando a compra direta dos produtores e minimizando a intermediação. A escolha do Brasil como local de produção foi fundamental para garantir a qualidade e a sustentabilidade do processo.
Atualmente, a marca produz mais de 3,5 milhões de pares de tênis por ano, todos fabricados no Brasil.
Uma Cadeia Produtiva Complexa
A produção dos tênis Veja envolve uma complexa cadeia produtiva, que se inicia com a coleta da borracha na Amazônia, passando pelo tratamento em cooperativas locais e, finalmente, pela integração à produção industrial. O algodão orgânico cultivado no Ceará fornece o tecido para os tênis, enquanto o couro vem do Rio Grande do Sul, produzido com práticas que reduzem o uso de produtos químicos.
A coordenação dessa cadeia é um desafio constante, exigindo acompanhamento próximo e adaptabilidade. Luciana Batista Pereira, responsável pela gestão da produção, destaca a importância de manter um diálogo constante com todos os envolvidos, garantindo que qualquer mudança em uma etapa não afete o restante da operação.
Compromisso e Visibilidade
A Veja optou por manter essa estrutura complexa ao longo do tempo, não como resultado do crescimento, mas como uma decisão consciente. A empresa valoriza a transparência e a rastreabilidade de seus produtos, buscando construir uma relação de confiança com seus consumidores.
Atualmente, a marca está produzindo cerca de 5 mil pares de tênis por ano, mas a produção saiu de 5 mil pares em 2005 para 3,5 milhões em 2024. O ponto central não está no volume, mas na forma como ele é construído. “Dá mais trabalho, sem dúvida.
Mas é muito mais interessante. Você entende o que está acontecendo, conhece as pessoas, acompanha o processo de verdade. Isso muda completamente a relação com o produto”, diz Luciana Batista Pereira.
Um Documentário para Compartilhar a História
Para mostrar ao mundo a complexidade e o compromisso da Veja, a marca lançou um documentário que acompanha diferentes etapas da produção, desde a coleta da borracha na floresta amazônica até a fabricação dos tênis em São Paulo. O filme busca reduzir a distância entre quem está na origem do produto e quem o encontra pronto para ser vendido.
A estreia do documentário ocorreu em Paris, e a exibição em São Paulo está agendada para o dia 07 de maio, no Theatro São Pedro, com a presença dos personagens dos curtas, o diretor Christophe Abric e os fundadores da VEJA François-Ghislain Morillion e Sébastien Kopp.
Autor(a):
Redação ZéNewsAi
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