A Argentina vive um cenário de forte tensão nesta sexta-feira, 27 de junho de 2026, com a realização de uma nova greve geral. O protesto ocorre em meio à votação da reforma trabalhista proposta pelo presidente Javier Milei no Senado, um momento crucial para o futuro do mercado de trabalho no país.
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A aprovação da reforma na Câmara dos Deputados, ocorrida na madrugada da última sexta-feira, 20, intensificou a mobilização social.
Frente Sindical Unida Lidera Protesto
A Frente Sindical Unida (FreSU), que reúne mais de 100 sindicatos importantes, como a Associação dos Trabalhadores do Estado, o Sindicato dos Metalúrgicos e o Sindicato dos Petroleiros, está organizando a greve. O protesto, com duração prevista para 24 horas, começou às 00h00 e visa pressionar o governo a reconsiderar a proposta de reforma.
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A expectativa é que o movimento afete diversos setores da economia, incluindo serviços de saúde e transporte.
Impactos da Greve
De acordo com as entidades organizadoras, a greve visa garantir o funcionamento mínimo dos serviços essenciais, como voos médicos e estatais operados pela Administração Nacional de Aviação Civil, além de hospitais com o número mínimo de funcionários.
A paralisação também afetará a coleta de lixo, as polícias municipais e os agentes de trânsito de Buenos Aires. Os manifestantes se concentrarão na Avenida de Mayo, uma das principais vias da capital, e seguirão em marcha até o Congresso.
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Desacordo entre CGT e Governo
Diferentemente da greve de 20 de fevereiro, a nova mobilização não conta com o apoio da Confederação Geral do Trabalho (CGT), a principal central sindical do país. A CGT optou por aguardar o resultado da votação no Senado e, em caso de aprovação da reforma, buscará soluções judiciais.
O governo argentino defende a reforma como essencial para reduzir a informalidade no mercado de trabalho, que atinge mais de 40%, e estimular a criação de empregos através da redução de encargos para empresas.
Pontos Centrais da Reforma Trabalhista
A reforma trabalhista em discussão prevê a ampliação da jornada de trabalho, podendo chegar a até 12 horas diárias, respeitando um período mínimo de descanso de 12 horas. Além disso, as horas extras poderão ser compensadas com folgas, em vez de pagamento em dinheiro, mediante acordo entre empregador e empregado.
Atualmente, a legislação exige o pagamento de adicional salarial para horas extras. A proposta também inclui alterações nas regras de licenças médicas e a retirada da possibilidade de pagamento de salários em moeda estrangeira, que havia sido aprovada na Câmara.
O Senado deve analisar novamente a proposta após as alterações aprovadas na Câmara. Além da reforma trabalhista, o debate também incluirá a redução da maioridade penal, que já foi aprovada na Câmara no início do mês, com 149 votos a favor e 100 contrários.
