Argentina Busca Impulsionar Exportações com Modernização da Rede Ferroviária
A Argentina está implementando um ambicioso plano para aumentar suas exportações de grãos e minerais, com foco na privatização e modernização de sua antiga rede ferroviária. A iniciativa, que visa reduzir drasticamente os custos de frete para regiões distantes dos portos, é vista como um passo crucial para revitalizar a economia do país.
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O projeto, que se inicia no próximo ano, poderá expandir a produção de produtos de exportação global, como soja, milho, cobre e lítio, além de auxiliar no transporte de areia para a formação de xisto no sudoeste da Argentina, conhecida como Vaca Muerta.
Desafio da Modernização
A modernização do sistema ferroviário, após anos de negligência, representa um grande desafio. O volume de carga transportada por trem é inferior ao de 1970, apesar do aumento de quase seis vezes na produção agrícola no mesmo período. Alejandro Núñez, presidente da estatal Belgrano Cargas y Logística, responsável pela rede Belgrano Cargas, destacou a necessidade de superar a infraestrutura deteriorada, onde trens circulam lentamente e cargas de soja são facilmente roubadas, além de descarrilamentos serem comuns.
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Licitações e Investimentos
A privatização da rede ferroviária faz parte do plano do presidente Javier Milei de transferir empresas estatais em dificuldades para mãos privadas e atrair investimentos para repor as reservas esgotadas, após anos de crise econômica. Estima-se que serão necessários investimentos de pelo menos US$800 milhões para modernizar a infraestrutura, com o Grupo México Transportes (GMXT) como um dos principais concorrentes na licitação, planejando investir US$3 bilhões caso vença o leilão.
Outros interessados incluem um consórcio agrícola formado por grandes empresas como Bunge Global, Cargill Inc., Louis Dreyfus Co., Associação de Cooperativas Argentinas e Aceitera General Deheza SA, além da mineradora anglo-australiana Rio Tinto.
Impacto e Benefícios
A redução dos custos de frete, impulsionada pela modernização da ferrovia, pode contribuir para a expansão da produção agrícola no norte do país, onde pelo menos metade da produção agrícola ocorre a mais de 300 quilômetros de Rosário. O setor de mineração também poderá se beneficiar, já que a Argentina é o quarto maior exportador mundial de lítio e possui projetos de mineração de cobre que poderão iniciar a produção nos próximos anos.
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Segundo estimativas, o transporte de uma tonelada por caminhão custa entre 7 e 9 centavos de dólar por quilômetro, enquanto o transporte ferroviário custa menos de 5 centavos, o que representa um ganho significativo para a economia do país.
Conclusão
A privatização e modernização da rede ferroviária representam um ponto de inflexão para a Argentina, com o potencial de impulsionar suas exportações, atrair investimentos e fortalecer sua posição no mercado global de commodities. O sucesso da iniciativa dependerá da capacidade do governo de atrair investimentos privados, superar os desafios da infraestrutura e garantir um ambiente de negócios favorável para o setor.
