Ações Americanas Avançam, Enquanto o Brasil Registra Queda no Setor de Petróleo
As ações de empresas petrolíferas americanas apresentaram um desempenho positivo nesta segunda-feira, 5, dois dias após a invasão dos Estados Unidos à Venezuela. O movimento contrastava com a queda das ações do setor no Brasil. Essa diferença de desempenho reflete diferentes interpretações do mercado sobre os impactos de curto e médio prazo das tensões políticas envolvendo o país sul-americano e seus efeitos na oferta global de petróleo.
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O presidente Donald Trump anunciou a invasão, afirmando que a indústria venezuelana estava “um fracasso total”, bombeando “quase nada em comparação com o que poderia”.
Análise do Mercado e Expectativas de Recuperação
Analistas apontam que a principal razão para o avanço das ações americanas reside na expectativa de que empresas como Chevron, ExxonMobil e ConocoPhillips se beneficiem da reestruturação do setor petrolífero venezuelano. A perspectiva de maior presença de empresas americanas na exploração do petróleo venezuelano, impulsionada pelo anúncio do governo Trump, contribui para o otimismo do mercado.
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Flávio Conde, analista da Levante Investimentos, ressalta que, no curto prazo, o risco de uma redução nas exportações venezuelanas – atualmente em torno de 900 mil barris por dia – tende a favorecer as petroleiras brasileiras, que se beneficiam de preços mais altos do petróleo e do dólar.
Expectativas de Longo Prazo e Investimentos
No entanto, o mercado parece antecipar um cenário em que a Venezuela volte gradualmente à normalidade política e recupere sua capacidade produtiva. A Chevron, que já opera no país desde 1923, com cerca de 25% da produção venezuelana, é vista como uma das empresas mais bem posicionadas para se beneficiar dessa recuperação.
A empresa possui um relacionamento local estabelecido e pode aumentar sua produção incrementalmente no curto prazo, caso haja aprovação dos EUA. A expectativa é que, com novos investimentos e a entrada de empresas estrangeiras, a oferta global de petróleo possa crescer de forma relevante nos próximos anos, ampliando a disponibilidade e, consequentemente, pressionando os preços.
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Interesse Americano e Estratégia de Longo Prazo
Alison Correia, analista de investimentos e cofundador da Dom Investimentos, destaca que o interesse americano vai além do curto prazo. Apesar do petróleo venezuelano ser mais pesado e menos valorizado no mercado internacional, ele possui um custo de extração baixo e grande longevidade, o que o torna estratégico para a segurança energética de longo prazo dos Estados Unidos.
Correia enfatiza que os Estados Unidos não precisariam do petróleo venezuelano para sobreviver hoje, mas seria extremamente valioso para a segurança energética de longo prazo, para alimentar refinarias feitas para petróleo pesado, que eles já têm instaladas nos Estados Unidos e para influenciar principalmente preços globais, pressionando concorrentes da OPEP, os maiores produtores de petróleo do mundo, e tirando daqui da América Latina a influência da Rússia e do Irã.
