Reversão de AVC em Minutos: O Design Centrado no Ser Humano
Um cateter que entra pela artéria femoral, atravessa o corpo e chega ao cérebro, permitindo a reversão de um AVC em questão de minutos. O resultado é surpreendente: pacientes que chegam em estado crítico, desorientados e em sofrimento extremo, saem andando, recuperando a mobilidade e a consciência.
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Essa tecnologia inovadora, desenvolvida por Peter Skillman, da Philips, serve como inspiração para a abordagem que ele defende no trabalho, uma filosofia que se tornou central para a empresa holandesa.
A Philips, longe de ser apenas uma fabricante de televisores, como muitos podem imaginar, transformou-se em uma organização focada em saúde, uma mudança estratégica iniciada há cerca de duas décadas. Essa transição reposicionou o grupo holandês em um dos setores mais desafiadores da economia global.
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No entanto, o ponto crucial não reside apenas na tecnologia em si, mas na forma como ela é concebida e aplicada. Segundo Skillman, o design deixou de ser apenas uma questão estética para se tornar uma ferramenta essencial na tomada de decisões, especialmente em um sistema de saúde que, segundo ele, já opera no limite de sua capacidade.
A Importância do Design Centrado no Humano
“Alguém pode chegar ao hospital à beira da morte e sair andando após o procedimento”, afirmou em entrevista a um dos maiores eventos de inovação do país. “Isso muda completamente onde eu escolho investir meu tempo como designer”. Essa perspectiva direciona o foco para a inteligência artificial, que, na visão de Skillman, não diminui a importância do fator humano, mas sim expõe sua ausência.
Em hospitais cada vez mais orientados por dados, algoritmos e protocolos, o risco não é a falta de tecnologia, mas o excesso dela, sem a devida mediação humana.
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A Distorção do Sistema de Saúde
O resultado dessa distorção é um sistema aparentemente mais eficiente em termos de dados, mas mais distante na prática. Profissionais sobrecarregados, decisões fragmentadas e pacientes que recebem apenas fluxos de informações. É dessa realidade que emerge a defesa do design centrado no ser humano, uma abordagem que busca recentrar o cuidado nas pessoas, não apenas no paciente, mas em toda a sua rede de apoio. “Nunca perca de vista o problema real do cliente”, enfatiza Skillman.
IA como Acelerador e Distração
A inteligência artificial entra nesse contexto como uma ferramenta ambígua. Por um lado, oferece possibilidades inéditas, como a análise de grandes volumes de dados hospitalares e a previsão de deteriorações clínicas. Por outro, existe o risco de desviar o foco.
A IA pode ser uma grande distração ou um acelerador poderoso, dependendo de como é aplicada. Internamente, a Philips já mudou o processo de design, permitindo a criação de protótipos em minutos, o que, para Skillman, não resolve o problema central: a falta de empatia.
