Azul Vê Alta nas Ações Após Saída do Capítulo 11
As ações da Azul (AZUL53) apresentaram uma forte alta nesta segunda-feira, 23, impulsionada pela conclusão de sua saída do processo de recuperação judicial nos Estados Unidos, conhecido como Chapter 11. O movimento demonstra um momento crucial na reestruturação financeira da companhia aérea, que durou menos de nove meses, o que o torna o período mais curto entre as aéreas brasileiras que passaram por esse processo.
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Alta nas Ações
Inicialmente, os papéis da Azul subiram mais de 30% na primeira hora de negociação, atingindo um patamar de R$ 277,86. Apesar de um leve desaquecimento, o avanço persistiu, indicando o otimismo do mercado com o fim da reestruturação. Essa performance reflete a confiança dos investidores em relação às novas condições financeiras da empresa.
Reestruturação Financeira
A saída do Chapter 11 representa um marco importante para a Azul. A companhia conseguiu levantar US$ 1,6 bilhão em empréstimos dos credores, através de um DIP Financing (empréstimos a empresas em dificuldades financeiras), e também formalizou um acordo com a United Airlines, que aumentaria sua participação acionária, e com a American Airlines, que receberia uma fatia da empresa.
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Essas medidas visam fortalecer o caixa da Azul e reduzir seus passivos, permitindo uma nova fase de operação com menor alavancagem.
Novas Condições Financeiras
O CEO da Azul, John Rodgerson, afirmou que a companhia está “maior hoje do que nós éramos em 2025”. A empresa pretende avaliar com cautela a retomada de algumas operações em diferentes localidades, priorizando mercados com maior rentabilidade. Além disso, a Azul descartou novas discussões sobre uma fusão com a Gol.
Volatilidade e Queda Anterior
No entanto, o processo de recuperação judicial da Azul foi marcado por grande volatilidade. Em meados de janeiro de 2026, as ações da companhia despencaram 80% em pouco mais de um mês, refletindo a diluição massiva dos investidores. Essa queda intensa foi causada pela emissão de um aumento de capital de R$ 7,44 bilhões, com a emissão de 1 trilhão de novas ações.
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O analista Enrico Cozzolino atribui essa queda a fatores técnicos e estruturais, incluindo a diluição significativa dos acionistas atuais e a possibilidade de conversão de bônus para credores.
Cenários Futuros
Enrico Cozzolino e Gustavo Trotta, sócio da Valor Investimentos, apresentaram diferentes cenários para o futuro das ações da Azul. O cenário mais provável envolve a saída da companhia do Chapter 11 com o capital fortemente diluído, o que reduziria significativamente a participação e o valor residual dos atuais investidores.
Um cenário intermediário, com recuperação operacional e corte de custos, poderia recuperar parte do capital investido ao longo dos anos. No entanto, isso exigiria disciplina operacional em um ambiente ainda desafiador. O quadro mais negativo, no entanto, prevê novas diluições e reestruturações que poderiam levar à perda quase total do capital investido.
A Azul também enfrenta riscos operacionais, como a volatilidade do preço do combustível de aviação e as oscilações cambiais, devido à falta de contratos de hedge. O analista destaca a importância de monitorar o risco operacional e a capacidade de execução da reorganização, bem como os riscos contábeis e operacionais.
