Ações da Azul Disparam Após Queda Drástica
As ações da Azul (AZUL54) viveram uma semana de oscilações extremas. Após acumularem uma queda de 98,61% nos cinco primeiros pregões de 2026, o papéis da companhia aérea dispararam 160% nesta sexta-feira, 9. O movimento reverteu parcialmente as perdas após a forte diluição provocada pelo aumento de capital.
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O tombo refletiu o impacto direto da operação de aumento de capital concluída pela companhia no início da semana, no contexto do processo de recuperação judicial nos Estados Unidos. Felipe Sant’Anna, especialista em investimentos do grupo Axia Investing, afirma que, após a megadiluição, o preço efetivo das ações caiu para a casa dos centavos.
Entenda a Dinâmica da Queda e Recuperação
A empresa colocou no mercado mais de 1,4 trilhão de novas ações, entre ordinárias e preferenciais, em uma operação que levantou cerca de R$ 7,4 bilhões. A emissão teve como objetivo principal converter credores em acionistas e reduzir a dívida, que ultrapassa os R$ 40 bilhões.
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Com isso, o número de ações em circulação aumentou de forma expressiva, provocando uma diluição estimada em até 90% para os acionistas atuais, com possibilidade de impacto ainda maior para os minoritários.
Efeito da Diluição e Short Squeeze
É justamente essa diluição massiva que explicou o movimento. Segundo Sant’Anna, apesar de o valor nominal parecer alto à primeira vista, o lote padrão é de 10 mil papéis, o que distorce a percepção do investidor. “É um papel que, na prática, vale centavos.
Apesar de o valor nominal parecer alto, é preciso dividir o preço por 10 mil, para chegar ao valor real da ação. Isso faz com que qualquer movimentação gere variações percentuais muito grandes: o papel cai 80%, cai 50%, depois sobe 60%. Essa volatilidade extrema não vem só do mercado, mas do fato de que o preço unitário é muito baixo e as ações, hoje, praticamente não têm valor”, afirmou Sant’Anna.
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A Queda e a Pressão de Venda
O especialista também destaca que a intensidade da queda abriu espaço para movimentos de short squeeze, no jargão do mercado. Esse é um movimento técnico que força investidores a recomprar papéis. Ele ocorre quando muitos investidores estão “vendidos” em uma ação, ou seja, apostando que ela vai cair, e, ao invés disso, ela começa a subir.
Isso os obriga a recomprar os papéis para limitar prejuízos, criando uma pressão de compra que faz o preço subir ainda mais. “Muita gente estava vendida no papel, pressionando o preço para baixo. Quando esses investidores começam a realizar lucro, quem vendeu há dois, três ou até cinco dias já estava com ganho relevante, e eles precisam encerrar a posição.
E encerrar uma posição vendida significa comprar a ação. Como o preço unitário é muito baixo, essas recompras exigem volumes muito grandes, o que provoca altas rápidas e intensifica essa dinâmica de montanha-russa no papel”, disse.
Análise do Mercado e Perspectivas
Segundo Virgílio Lage, especialista da Valor Investimentos, a queda é resultado da dinâmica de oferta e demanda. A entrada de um volume gigantesco de novas ações no mercado reduz o valor relativo de cada papel existente, pressionando os preços para baixo. “O mercado costuma reagir mal a essas ofertas, basicamente.
Há muita diluição no papel. Os investidores não confiam na recuperação mesmo com essa diluição em vista, o preço da emissão está muito abaixo das expectativas. Então a primeira reação de curto prazo é uma queda muito forte”, afirmou Lage. “É uma reprecificação do risco diante desse processo judicial, uma venda forçada ou tomada de lucro para investidores que não querem fazer a subscrição e uma alta expectativa de perda no valor do papel no curto prazo”, acrescentou.
Azul em Recuperação Judicial
A pressão vendedora ganhou força nos primeiros cinco pregões do ano com o início das negociações dos novos papéis, que passaram a ser agrupados em cestas para viabilizar a negociação na bolsa. As ações preferenciais começaram a ser negociadas sob o código “AZUL54”, movimento que reflete a conversão de dívidas em ações prevista no processo de recuperação judicial.
Embora a operação represente um avanço relevante no processo iniciado em maio do ano passado, quando a Azul recorreu ao Chapter 11, o impacto sobre as ações segue sendo determinado, sobretudo, pelos efeitos da diluição. Em dezembro, mesmo após a Justiça americana aprovar o plano de recuperação, com mais de 90% de apoio em todas as classes de credores, os papéis já haviam reagido negativamente, passando a ser negociados na casa dos centavos.
