Banco Master e o Alerta no Mercado de Carbono Brasileiro
O escândalo envolvendo o Banco Master gerou um impacto que vai muito além do setor financeiro, levantando sérias preocupações no mercado de carbono do Brasil. A suspeita de que o banco avaliou ativos ambientais sem a devida comprovação técnica expôs falhas em um sistema que se tornou crucial para a estratégia climática do país.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
As investigações revelaram que houve uma valorização de ativos relacionados a estoques de carbono, sem evidências claras de redução ou remoção efetiva de emissões. Essa situação coloca em xeque o próprio fundamento do mercado de carbono: a confiança de que cada crédito representa um ganho climático real, mensurável e com base em dados concretos.
Do ponto de vista ambiental, o risco é considerável. A falta de respaldo científico abre espaço para práticas de “greenwashing”, desviando recursos de projetos que realmente contribuem para a mitigação das mudanças climáticas. Organizações internacionais e estudos acadêmicos já alertam que essas falhas comprometem as metas climáticas e afastam investidores que buscam projetos com impacto real.
LEIA TAMBÉM!
O caso ocorre em um momento delicado, em que o Brasil tenta estabelecer um mercado de carbono regulamentado e se consolidar como um fornecedor confiável de créditos ambientais. No entanto, incidentes como este, que abalam a credibilidade dos créditos nacionais, aumentam o risco reputacional do país e podem prejudicar projetos sérios, especialmente aqueles ligados à conservação florestal.
Mais do que um evento isolado, o escândalo do Banco Master representa um alerta sistêmico. A ausência de regras claras, uma fiscalização eficiente e critérios científicos rigorosos ameaça a função ambiental do mercado de carbono, transformando-o em um mero ativo financeiro, com pouco impacto no clima e um alto custo para a reputação do Brasil.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
