BC e Nilton David: Incerteza geopolítica ameaça política monetária e Selic?

Nilton David alerta: incerteza geopolítica entre EUA, Israel e Irã preocupa o Banco Central. O que esperar da política monetária?

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(Imagem de reprodução da internet).

Incerteza Geopolítica Preocupa Banco Central em Relação à Política Monetária

O diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, comunicou nesta quarta-feira, dia 8, que a autoridade monetária ainda não compreende totalmente a natureza do impacto gerado pelo conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã. A incerteza sobre a duração desse choque permanece em foco na política monetária, mesmo após um acordo de cessar-fogo ocorrido na véspera.

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Avaliação do Cenário Pós-Conflito

“Eu não tenho a convicção, dadas as idas e vindas dos participantes desse conflito, que isso está resolvido. Então, não tenho a capacidade de saber se é um choque transitório ou não”, declarou a autoridade durante o 12º Brazil Investment Forum, evento promovido pelo Bradesco BBI, voltado para investidores e executivos.

Riscos Estruturais Persistentes

A análise ocorre em um momento delicado, com discussões entre Estados Unidos e Irã baseadas em um plano apresentado por Teerã, que ainda está distante de ser um acordo definitivo. Para David, a aparente trégua não anula os riscos estruturais inerentes ao conflito.

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O diretor manifestou ceticismo quanto à calma momentânea, afirmando: “Está tudo animadíssimo porque houve um cessar-fogo por hora, mas eu não estou convencido de que ele resolveu a situação”. Ele apontou que o cenário subsequente ao conflito deve ser marcado por um nível de desconfiança mútua superior ao anterior.

Impactos Macroeconômicos e a Taxa Selic

Nilton David ressaltou que a percepção de risco global sofreu alterações significativas. Um exemplo citado foi a capacidade do Irã de afetar uma das principais rotas de comércio mundial de petróleo, o Estreito de Ormuz, por onde transita 20% da produção global.

“A percepção que não se tinha antes, certamente equivocadamente, é que o Irã consegue fechar o Estreito de Ormuz. Isso gera uma inquietude. A percepção depois disso não vai ser a mesma”, explicou David. Diante disso, ele reforçou que, embora deseje que o choque seja passageiro, o Banco Central deve operar com cenários mais cautelosos.

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A Necessidade de Vigilância Constante

Ele ponderou que, apesar de torcer por um cenário transitório, o Banco Central está preparado para ajustar a política monetária conforme necessário. O diretor também observou que a taxa Selic possui mais folga do que há seis meses, mas alertou sobre o choque inflacionário associado ao conflito.

“O nível de juros hoje tem mais gordura do que tinha seis meses atrás. Obviamente que esse evento do conflito vai do outro lado, porque ele está dando um choque de preços relevante, que tem chances reais de ter efeitos de segunda ordem. Não podemos baixar a guarda”, alertou.

Outros Fatores em Análise pelo BC

Em relação aos modelos internos, Nilton David esclareceu que não há uma ligação mecânica direta entre choques externos, como o de petróleo, e os efeitos sobre a inflação interna. Ele mencionou que fatores como tributação, etanol e custos logísticos influenciam o repasse de preços.

Além do cenário externo, o diretor apontou mudanças estruturais no mercado de trabalho como um ponto de atenção. Segundo ele, o país vivencia o primeiro ciclo de aperto no mercado de trabalho desde a reforma trabalhista de 2017, exigindo mais estudos aprofundados.

Ele exemplificou o impacto da “uberização”, que, segundo estimativas do BC, pode ter reintegrado cerca de meio milhão de pessoas à força de trabalho, ao oferecer uma garantia de renda para quem estava desalentado.

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