Biden remove tarifas sobre café e carne bovina após investigação

Biden flexibiliza tarifas sobre café e carne bovina após críticas à política comercial americana.

16/07/2026 12:05

3 min

Presidente dos EUA, Donald Trump: No caso da carne bovina, a exclusão da proteína da lista de produtos tarifados está relacionada ao momento vivido pela pecuária americana.
Presidente dos EUA, Donald Trump: No caso da carne bovina, a exc...

O governo dos Estados Unidos retirou café e carne bovina da lista de produtos sujeitos à tarifa de 25%, conforme anunciado nesta quarta – feira dia 15.

Essa decisão veio após uma investigação conduzida contra o Brasil sob a Seção 301 do comércio americano, processo que foi iniciado em julho de 2025. No início de junho deste ano, os EUA concluíram um relatório apontando práticas consideradas desarrazoadas no âmbito comercial bilateral com o país tropical; foram citados pontos como uso avançado do Pix, taxação específica ao etanol estadunidense e falhas percebidas nos combates à corrupção ou desmatamento brasileiro.

O cenário da pecuária americana

A situação das tarifas sobre carne bovina está diretamente ligada aos desafios enfrentados pela própria indústria agropecuária dos Estados Unidos. O setor atravessa um período considerado muito difícil dentro do ciclo produtivo, marcado pelo aumento constante dos custos de produção em conjunto com margens operacionais mais apertadas para os produtores locais.

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Segundo dados divulgados pelo Departamento de Agricultura (USDA), o número total de cabeças de gado destinado ao corte caiu 13% desde 2019, atingindo a marca de 27,9 milhões; este volume representa o menor nível registrado no país há décadas e já supera as estimativas feitas por fontes anteriores àquela data.

O cenário foi agravado pela seca prolongada na região oeste americana. Esse evento elevou drasticamente os gastos necessários com ração animal enquanto reduziu significativamente áreas aptas para pastagem natural, forçando muitos produtores a liquidarem parte dos rebanhos apenas para preservar seu caixa operacional.

Dinâmica do comércio global de café

No setor cafeeiro, entidades brasileiras pressionaram Washington pelo benefício da isenção tarifária em produtos essenciais como grãos verdes brasileiros e também no caso específico do café instantâneo. A Associação Nacional do Café (NCA), que representa toda a indústria nos EUA, fez o pedido durante as consultas públicas sobre tarifas aplicadas diversos itens vindos do Brasil.

O país é reconhecido mundialmente por ser tanto um grande produtor quanto exportador; ele responde atualmente pela produção equivalente ao terço total abastecimento disponível para o mercado americano.

Impacto das políticas de tarifa

Apesar da importância estratégica dos benefícios tarifários — William Murray, presidente da NCA, afirmou em audiência passada na semana anterior —, outros produtos como atum e tilápia também foram beneficiados. A nova taxa entrará oficialmente vigorando a partir de 22 de julho, com algumas exceções aplicáveis aos itens que estiverem passando pelo trânsito aduaneiro.

Em relação à produção brasileira, as projeções apontam um crescimento significativo de até 17% neste ano para atingir os níveis estimados de 66 milhões de sacas contendo grãos de 60 quilos.

Outros setores do agronegócio

A carne bovina nos Estados Unidos tem acumulado sucessivos recordes em preços desde o início dos anos 2020. Segundo dados levantados no Federal Reserve de St. Louis, a valorização da proteína chega aos impressionantes 75%. O USDA complementa que atualmente ela está mais alta em cerca de 16% comparada com os patamares registrados há um ano passado.

Além disso, questões sanitárias complicam ainda mais as operações comerciais; enfrenta aumento de casos por uma enfermidade causada pela deposição de ovos de mosca nas feridas abertas animais e cujas larvas se alimentam do tecido vivo local.

Diante desse avanço preocupante na doença animal, o país suspendeu imediatamente todas as importações de carne bovina vindas diretamente do México. No primeiro semestre deste ano corrente, no entanto, exportações brasileiras para Washington cresceram em relação ao mesmo período anterior (2025), alcançando 13% a mais ou seja um total acumulado de 205 mil toneladas.

O Brasil é confirmado como segundo principal destino da proteína brasileira nos EUA; por outro lado, os estados colombiana [sic] e peruana passaram também ocupando uma posição importante entre grandes mercados compradores.

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