Brasil Lida com um Estado de Defesa Otimista
Um em cada três brasileiros enfrenta dificuldades para encontrar motivação para iniciar o dia. Uma pesquisa inédita, chamada “Tensões Culturais 2026”, realizada pela Quiddity, consultoria do ecossistema Untold, revela que a ansiedade é o principal fator por trás desse sentimento, um retrato do país que, por fora, aparenta funcionar bem, mas por dentro, está sobrecarregado.
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O estudo analisou as respostas de 1.355 pessoas entre 18 e 64 anos, abrangendo diversas classes sociais e regiões do Brasil.
Um Equilíbrio Ambíguo
Os resultados mostram uma mistura complexa de emoções. A ansiedade foi a mais citada, presente em 43% dos entrevistados. Gratidão, alegria e exaustão também foram relatadas com frequência, com 39%, 32% e 33% respectivamente. Essa combinação não é contraditória, mas sim uma estratégia de adaptação.
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Segundo Rebeca Gharibian, sócia e diretora geral da Quiddity, “o brasileiro aprendeu a usar o otimismo como uma ferramenta de sobrevivência, o famoso ‘a gente dá um jeito’ como padrão nacional”. Essa resiliência, no entanto, tem um custo: a normalização do caos, onde a ansiedade e o cansaço se tornam sentimentos predominantes.
Foco no Individual e Desconfiança no País
A pesquisa revela uma clara divisão entre a percepção individual e a coletiva. Apesar do otimismo em relação à própria vida financeira – 85% acreditam que ela melhorará em 2026 – a confiança no futuro do Brasil é significativamente menor, com apenas 34% depositando a mesma esperança.
Essa tendência de se concentrar na esfera pessoal reflete o desgaste com o ambiente externo. O indivíduo busca positividade onde sente que ainda tem controle sobre sua realidade.
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Infoxicação e o “Descanso do Militante”
O estudo também aponta para o impacto da “infoxicação”, o estresse causado pelo excesso de informações e notificações. Em resposta, muitos brasileiros adotaram o “descanso do militante”, abandonando grandes causas e debates em favor da preservação da saúde mental.
Quatro em cada dez brasileiros relatam não ter com quem conversar, e 45% afirmam operar sob sobrecarga constante, tornando o convívio presencial um esforço emocional difícil.
Implicações para Empresas e Marcas
Everton Schultz, especialista em reputação e líder do grupo Untold, destaca que ignorar esse estado emocional é um risco para empresas e marcas. “A reputação tornou-se um ativo extremamente volátil”, afirma. “Ignorar o cansaço emocional do consumidor ou insistir em narrativas unilaterais pode afastar marcas e empresas de seus stakeholders”.
O consumidor de 2026 busca acompanhamento, não apenas indicações de caminhos.
