Brasil Busca Mitigar Impactos de Salvaguardas Chinesas na Carne
O governo brasileiro está avaliando medidas para responder às salvaguardas impostas pela China nas importações de carne bovina. A situação, anunciada na última quarta-feira, 31, tem gerado preocupações no setor. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) retomou análises sobre as ações chinesas e deve anunciar em breve estratégias para minimizar os possíveis impactos na produção nacional de carne bovina.
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Uma das abordagens em estudo é a possibilidade de compensar a China por eventuais cotas não cumpridas por outros países fornecedores. O ministro responsável já mencionou essa estratégia, destacando que o Brasil pode assumir a responsabilidade por atender a demandas que outros países não conseguem suprir.
Essa negociação, que está em andamento, é vista como uma medida estratégica pelo governo brasileiro.
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Para 2026, a China terá a maior fatia das importações de carne bovina, com 2,7 milhões de toneladas. Os principais destinos, além da China, incluem Argentina, Uruguai, Austrália e Estados Unidos. Volumes acima das cotas estabelecidas estarão sujeitos a uma tarifa adicional de 55%.
Em 2024, o Brasil exportou 3,15 milhões de toneladas de carne bovina, gerando US$ 16,18 bilhões em receita, com a China absorvendo quase metade desse faturamento.
O governo brasileiro não pretende, por enquanto, adotar medidas de retaliação contra a China, em um esforço para evitar tensões diplomáticas, especialmente em um ano que marca 50 anos de relações bilaterais entre os dois países. Analistas da BMJ Associados alertam que a aplicação da Lei da Reciprocidade, que permite ao Brasil impor contramedidas a países que impõem barreiras comerciais, é um processo demorado e que exige comprovação de danos à indústria nacional.
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Contexto da Produção Nacional
As importações chinesas de carne bovina cresceram significativamente nos últimos anos, impulsionadas por fatores como a queda no número de vacas reprodutoras no Brasil e a redução da rentabilidade para empresas de abate. A Associação Chinesa de Agricultura Animal (CAAA) argumenta que o aumento das importações tem causado prejuízos à indústria local, impactando sua saúde financeira.
