Brasil e Coreia do Sul: impasse na abertura de mercados!
Após 15 anos, negociações em Seul estendem prazos.
Auditoria sanitária é chave para a abertura do mercado sul-coreano.
Fávaro garante: “Qualidade brasileira supera padrões mundiais!”
Após mais de 15 anos de negociações, o governo brasileiro enfrenta um novo atraso na abertura do mercado sul-coreano para produtos agrícolas. A expectativa de uma resolução nesta segunda-feira, 23, em Seul, não se concretizou, gerando um certo desapontamento na agenda presidencial. Apesar disso, o Ministério da Agricultura expressa confiança de que a abertura ocorrerá em breve, impulsionada por um compromisso formalizado com os sul-coreanos.
A principal etapa para a liberação das exportações brasileiras é a realização de uma auditoria sanitária, que foi formalizada em documento após reuniões entre o ministro Carlos Fávaro e autoridades sul-coreanas. O ministro Fávaro ressaltou a qualidade sanitária dos produtos brasileiros, comparando-os aos melhores padrões mundiais, indicando que a auditoria será o ponto de partida para a abertura do mercado. O consumo anual de carne bovina na Coreia do Sul, estimado em cerca de 600 mil toneladas, é um dos mais altos da Ásia, demonstrando o potencial da demanda.
A abertura do mercado sul-coreano é um dos objetivos do governo brasileiro em face de barreiras políticas impostas, principalmente pela pressão dos Estados Unidos. Além da Coreia do Sul, Japão, Vietnã e Turquia também estão na lista de países com mercados fechados. Atualmente, a maior parte das importações de carne bovina pela Coreia do Sul é proveniente dos Estados Unidos, enquanto o Brasil detém a maior fatia do mercado de frango importado. A abertura do mercado depende, em grande parte, da aproximação entre os governos e da conscientização dos consumidores coreanos sobre a qualidade dos produtos brasileiros.
Eddie Park, diretor-gerente da Highland Foods, uma das maiores importadoras de frango brasileiro, enfatiza a importância do diálogo entre os governos. Ele destaca a excelência das fábricas de processamento brasileiras, mas aponta para a falta de conhecimento sobre esses produtos por parte dos consumidores coreanos. Além disso, Park mencionou a sensibilidade do Brasil em relação a tarifas para produtos como eletrônicos e automóveis, indicando uma via de mão dupla nas negociações. Durante a visita, foram assinados diversos acordos bilaterais, incluindo um arranjo sobre comércio e integração produtiva, memorandos de entendimento entre os ministérios da Fazenda e da Agricultura, acordos de cooperação entre a Anvisa, Ibama e autoridades sul-coreanas, e parcerias entre a Embrapa e a Administração de Desenvolvimento Rural da Coreia.
Apesar da indefinição sobre a carne bovina, as negociações entre Brasil e Coreia do Sul continuam, buscando estabelecer um caminho para a abertura de mercados e o acesso a um mercado consumidor com grande potencial. O sucesso dessa iniciativa dependerá da colaboração entre os governos e da conscientização dos consumidores sobre a qualidade dos produtos brasileiros.
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