Um número alarmante de crianças e adolescentes no Brasil está sofrendo com exploração e abuso sexual facilitados pela tecnologia. Um estudo recente, divulgado nesta quarta-feira, 4, revela que cerca de 3 milhões de jovens entre 12 e 17 anos já foram vítimas dessas violências, representando um quinto da população nessa faixa etária.
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O relatório, fruto de uma parceria entre o UNICEF, a Interpol e a ECPAT International, intitulado “Disrupting Harm in Brazil”, lança luz sobre a gravidade do problema e as complexas dinâmicas envolvidas.
A Natureza da Violência Digital
Segundo Luiza Teixeira, especialista em proteção à criança do UNICEF no Brasil, os abusos online se caracterizam pela utilização de ferramentas digitais para atrair e explorar jovens. Isso inclui a produção, armazenamento e disseminação de materiais com conteúdo de abuso infantil.
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A pesquisa considerou tanto casos totalmente virtuais quanto interações digitais e presenciais, como o compartilhamento de imagens íntimas. A exposição a conteúdo sexual não solicitado, como o recebimento de fotos e vídeos íntimos, foi a forma mais comum de exploração, afetando 14% dos jovens entrevistados.
Além disso, 9% relataram ser abordados com pedidos de vídeos e fotos de partes do corpo.
Plataformas e Agressores: Um Panorama Detalhado
A análise revelou que a internet é o principal palco para esses crimes, sendo responsável por 66% dos casos relatados ao UNICEF. As redes sociais e aplicativos de mensagens instantâneas, especialmente o Instagram (59%), o WhatsApp (51%) e o TikTok (8%), lideram o ranking de plataformas com mais denúncias.
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O Facebook, Snapchat e o YouTube também apresentaram casos, embora em menor proporção. Um ponto crucial da pesquisa é que a maioria dos agressores (49%) são pessoas próximas à vítima, como familiares ou amigos. Em 52% dos casos, o primeiro contato com o agressor ocorreu nas redes sociais.
Barreiras à Denúncia e Estratégias de Prevenção
A pesquisa identificou barreiras significativas para a denúncia, com mais de um terço das vítimas preferindo não relatar a situação. As principais razões incluem o desconhecimento sobre como e onde denunciar (22%), o sentimento de vergonha (21%) e a falta de confiança de que a denúncia seria levada a sério (16%).
Em casos onde a denúncia foi feita, a vítima frequentemente compartilhou a experiência com amigos e colegas (22%) ou com suas mães e cuidadores (12%). O UNICEF enfatiza a necessidade de fortalecer sistemas de proteção, atualizar protocolos de atendimento e promover a educação sobre consentimento e autonomia corporal, tanto em ambientes familiares quanto escolares.
Conclusão: Um Chamado à Ação Urgente
O relatório do UNICEF destaca a urgência de abordar essa crise, que exige uma resposta coordenada entre governos, famílias, escolas e plataformas digitais. A identificação e punição dos agressores, juntamente com a conscientização e a prevenção, são passos cruciais para garantir a segurança e o bem-estar das crianças e adolescentes no ambiente digital.
A organização acredita que, com esforços conjuntos, é possível interromper o ciclo de violência e proteger os jovens de novas ameaças.
