O aumento de transtornos mentais no ambiente de trabalho já está impactando diretamente os dados nacionais. Em 2025, o Brasil registrou mais de meio milhão de licenças relacionadas a problemas de saúde mental, um número recorde no país, conforme dados divulgados pelo G1 do Ministério da Previdência Social.
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Esse cenário demonstra a crescente preocupação com o bem-estar dos trabalhadores.
Impacto da Nova Norma
Uma pesquisa realizada pela Heach Recursos Humanos, entre janeiro de 6 e 22 de 2026, com 1.730 empresas brasileiras, revelou um quadro preocupante diante da nova Norma Regulamentadora 1 (NR-1). A norma exige uma abordagem mais estruturada em relação a riscos psicossociais, saúde mental, preparação da liderança e governança na gestão de pessoas.
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A pesquisa apontou que grande parte das empresas não compreende totalmente as mudanças trazidas pela NR-1. Cerca de 68% das empresas não têm clareza sobre as novas exigências, e 62% não possuem indicadores formais para identificar e monitorar os riscos psicossociais, que são um ponto central da atualização da norma.
Reação Reativa
Um dado preocupante é que 58% das empresas afirmam que só reagiriam a problemas de saúde mental após afastamentos, denúncias formais ou ações judiciais, indicando um modelo ainda predominantemente reativo.
Elcio Paulo Teixeira, CEO da Heach Recursos Humanos, ressaltou que a nova NR-1 apenas expõe um problema já existente. “A norma não cria um problema novo, apenas torna visível um risco que as empresas brasileiras têm ignorado por anos. O discurso sobre saúde mental avançou, mas a estrutura para lidar com isso não acompanhou”, afirmou.
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Liderança como Fator de Risco
A pesquisa também destaca o papel da liderança nesse cenário. Cerca de 67% dos líderes nunca passaram por avaliações comportamentais ou psicológicas estruturadas, e 54% não receberam treinamento para lidar com conflitos, pressão emocional ou situações críticas.
Para 49% dos profissionais de RH entrevistados, o comportamento da liderança é o principal fator de adoecimento emocional das equipes.
“Não é possível falar em cultura saudável quando quem lidera não está preparado emocionalmente para liderar pessoas. A norma coloca luz exatamente sobre essa incoerência”, reforçou Elcio.
Descompasso entre Discurso e Prática
Além disso, o estudo evidencia um descompasso entre o discurso institucional e a prática. Embora 78% das empresas afirmem se preocupar com saúde mental, apenas 23% possuem políticas formais, orçamento dedicado e indicadores claros. Em 64% dos casos, o tema ainda é tratado de forma pontual, por meio de ações isoladas ou benefícios desconectados da estratégia organizacional.
“Fica claro que não se trata mais de boa vontade, narrativa institucional ou discurso de ESG. Trata-se de responsabilidade legal, risco financeiro e impacto humano. As empresas que não se prepararem agora estarão expostas”, disse o CEO da Heach.
Profissionais Invisíveis e Risco de Rotação
A pesquisa também aponta para o fenômeno dos profissionais invisíveis. 39% dos trabalhadores se sentem pouco ou nada reconhecidos, e 48% assumem responsabilidades acima do cargo sem contrapartida, elevando significativamente o risco de desligamentos e afastamentos.
Organizações com altos índices de invisibilidade apresentam até o dobro de rotatividade em relação à média do mercado.
“Ignorar pessoas sempre teve custo. A diferença é que agora a norma obriga as empresas a enxergarem isso de forma objetiva e mensurável”, concluiu Teixeira.
