Brasil Aloca Pouco para Infraestrutura, Revela Diagnóstico
O Brasil investe uma parcela relativamente pequena do seu Produto Interno Bruto (PIB) em infraestrutura, apenas 2%. Essa alocação é inferior à metade do mínimo considerado necessário para impulsionar o crescimento econômico, conforme apontado por um recente levantamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento.
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A estimativa indica que o país precisaria direcionar pelo menos 4,5% do PIB para o setor.
A escassez de investimentos se agrava diante da falta de dados consolidados sobre a infraestrutura nacional. Essa ausência dificulta a definição de prioridades e impacta negativamente a eficiência das políticas públicas. Um relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico também destaca a baixa transparência como um dos principais obstáculos ao desenvolvimento do país.
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Infra-BR: Uma Ferramenta para Diagnosticar a Infraestrutura
Para enfrentar esse cenário, o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) lançou, em 16 de março, o Infra-BR. A iniciativa visa avaliar as condições de infraestrutura nos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal. A plataforma reúne 67 indicadores, agrupados em seis dimensões distintas: mobilidade, saneamento, energia e meio ambiente.
Cada dimensão recebe uma nota de 0 a 100, oferecendo um diagnóstico detalhado para auxiliar na alocação de recursos.
Desigualdades Regionais no Diagnóstico
Os dados do Infra-BR revelam significativas desigualdades regionais. O Distrito Federal lidera o ranking com 74,67 pontos, enquanto o Acre ocupa a última posição com 28,46. Estados da região Sul e Sudeste apresentam resultados acima da média nacional, enquanto os piores desempenhos se concentram no Norte.
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O saneamento básico emerge como um dos principais gargalos no Nordeste, com índices baixos em estados como Pernambuco e Maranhão.
Unidades da federação do Sul e do Centro-Oeste, por outro lado, apresentam melhores resultados na área de infraestrutura. “Sem métricas claras, governos podem acabar concentrando esforços apenas na execução orçamentária sem avaliar se os investimentos estão, de fato, produzindo resultados concretos para a população”, explica Telma Hoyler, doutora em Ciência Política pela USP e consultora de políticas públicas, que integra a equipe do Infra-BR. “Um índice permite identificar gargalos, desigualdades territoriais e lacunas de informação.”
