Restrições à Exportação de Fertilizantes da China Impactam Mercados Globais
A China está adotando medidas para restringir as exportações de fertilizantes, buscando proteger seu mercado interno. Essa decisão, confirmada por diversas fontes do setor, agrava a situação já delicada dos mercados globais, que enfrentam escassez e os efeitos da guerra entre os Estados Unidos e o Irão, que impactaram o fornecimento de insumos para a produção agrícola.
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O país é um dos maiores exportadores de fertilizantes, com embarques que ultrapassaram US$13 bilhões no ano anterior. A China historicamente controla as exportações para manter os preços acessíveis aos agricultores locais. As remessas pelo Estreito de Ormuz, um ponto estratégico crucial para o comércio marítimo, representam cerca de um terço do suprimento global.
Restrições e Cotas de Exportação
Em março de 2026, Pequim implementou a proibição de exportações de misturas específicas de fertilizantes, incluindo nitrogênio e potássio, além de certas variedades de fosfato. A medida, inicialmente divulgada pela Bloomberg News, foi reforçada por cotas de exportação para alguns fertilizantes, como o sulfato de amônio.
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Estimativas da Reuters indicam que entre 50% e 75% das exportações chinesas de fertilizantes estão atualmente restritas, podendo atingir 40 milhões de toneladas métricas.
Impacto nos Preços e na Produção
Essa restrição chinesa se soma a outras medidas, como a proibição de exportações de combustível refinado, em um cenário global já marcado por escassez e preços elevados. Os preços internacionais da ureia, um fertilizante essencial, aumentaram cerca de 40% em relação a níveis anteriores à guerra, e os futuros da ureia na China estão próximos de uma alta de 10 meses.
A dependência da China em fertilizantes para o crescimento das plantações e o rendimento das colheitas pode levar à redução do uso ou à mudança para culturas que demandem menos insumos.
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Exportações para Outros Países
Nos últimos anos, a China exportou para o Brasil, Indonésia, Tailândia, Malásia, Nova Zelândia e Índia cerca de um quinto ou até mesmo um terço de seus embarques de fertilizantes. A Índia, que importou mais de 40% de sua ureia e DAP do Oriente Médio, solicitou que a China emitisse cotas de exportação de ureia.
A China garantiu que as exportações não seriam restritas, mas a situação permanece incerta.
Perspectivas Futuras
Vendedores de fertilizantes em Xangai preveem que as restrições de exportação não serão suspensas antes de agosto, período de pico de exportação da China. Produtores estão atentos aos sinais do governo após o plantio da primavera para determinar se as proibições serão estendidas.
Especialistas acreditam que a China é relutante em tomar medidas que possam aumentar o preço dos grãos, especialmente da ração animal, no mercado interno.
