Consumo Excessivo de Chocolate na Páscoa Pode Aumentar o Risco de Doenças do Fígado
A Páscoa é um período de celebração, mas também de um consumo significativo de chocolate. Muitas vezes, essa indulgência se concentra em versões com alto teor de açúcar e gordura, o que pode ter um impacto negativo na saúde do fígado. O Dr. Lucas Nacif, cirurgião do aparelho digestivo e membro do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva (CBCD), alerta para essa relação.
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O Fígado Sob Pressão
O fígado desempenha um papel crucial na digestão e no metabolismo de tudo o que consumimos. Quando a ingestão de açúcar e gordura excede o normal, como acontece com muitos chocolates industrializados, o órgão precisa trabalhar em excesso. “O fígado é o principal responsável por metabolizar tudo o que ingerimos. Quando há um consumo elevado de açúcar e gordura, como acontece com muitos chocolates industrializados, ele precisa trabalhar mais do que o habitual”, explica o Dr. Nacif.
Lipogênese e Inflamação Hepática
O médico destaca que o consumo excessivo de açúcar estimula a lipogênese hepática, ou seja, a produção de gordura dentro do próprio fígado. Já a gordura saturada pode prejudicar a resistência à insulina e favorecer inflamações no órgão. A esteatose hepática, quando não controlada, pode evoluir para quadros mais graves, como fibrose, cirrose e até mesmo câncer hepático.
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Risco Aumenta com o Tempo
Pesquisas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) revelam que, em pacientes com esteatose hepática simples no Brasil, de 12% a 40% podem desenvolver a forma mais avançada da doença, com fibrose, após oito a 13 anos. Aproximadamente 15% desses pacientes evoluem para cirrose. No Brasil, essa situação é preocupante, considerando que cerca de 30% a 35% da população adulta sofre de esteatose hepática, com maior prevalência em indivíduos com obesidade, diabetes tipo 2 e síndrome metabólica.
Crianças Também Estão em Risco
A Páscoa frequentemente coincide com o excesso de consumo, o que acende um alerta para a saúde metabólica desde a infância. Estudos epidemiológicos indicam que a prevalência de doença hepática gordurosa não alcoólica (NAFLD) na população pediátrica varia entre 3% e 10%, podendo chegar a cerca de 50% em crianças com obesidade.
Sinais de Alerta
A esteatose hepática geralmente não apresenta sintomas no início. No entanto, alguns sinais podem indicar um problema: cansaço persistente, sensação de peso após as refeições, desconforto no lado direito do abdômen, exames de rotina com enzimas hepáticas elevadas (TGO e TGP) e a presença de gordura abdominal.
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“Se a pessoa termina a Páscoa sentindo aquele cansaço exagerado, barriga inchada, pesada por dias, vale uma conversa com o médico e talvez um exame de imagem para ver como o fígado está”, finaliza o Dr. Lucas Nacif.
