Cidade de Deus: Uma História que Desafiou o Oscar
A verdade é que “Cidade de Deus” causou um impacto notável na 97ª edição do Oscar. Mas, duas décadas antes do sucesso do filme de Walter Salles, outro longa-metragem brasileiro já havia chamado a atenção da Academia, alterando as regras de votação e recebendo quatro indicações, mesmo sem levar nenhuma estatueta. “Cidade de Deus”, dirigido por Fernando Meirelles e Kátia Lund, é considerado um marco do cinema nacional.
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Lançado em 2002, o filme é uma adaptação do livro de Paulo Lins, baseado em fatos reais. A trama retrata a ascensão do crime organizado no Rio de Janeiro, dentro das favelas da Cidade de Deus, entre as décadas de 1960 e 1980. A bilheteria do filme alcançou US$ 30,6 milhões em todo o mundo, e com ela, o filme brasileiro recebeu indicações à Melhor Direção, Melhor Fotografia, Melhor Edição e Melhor Roteiro Adaptado no Oscar, tornando-se o filme brasileiro mais indicado à premiação na história.
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A Polêmica Campanha
A campanha do filme até o tapete vermelho do Dolby Theater em Los Angeles, em 2004, enfrentou diversos obstáculos. Diferentemente de outros filmes daquele ano, a produção de Meirelles apresentava a realidade das favelas brasileiras, com cenas de violência explícitas.
A primeira reação da Academia, composta majoritariamente por membros dos Estados Unidos, brancos e mais conservadores, foi polarizada. Para que um filme se qualifique à categoria de Melhor Filme Internacional, ele precisa ser apresentado à Academia com antecedência.
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Na época, durante a exibição do filme, parte do público começou a sair da sala, enquanto outros criticavam a obra, considerando-a apelativa e com um realismo forçado. A situação representava um “ame ou odeie” na sétima arte. O crítico de cinema e professor Waldemar Dalenogare Neto relatou que um membro do comitê de filmes estrangeiros do Oscar descreveu a reação como inédita, com pessoas expressando opiniões extremas durante a exibição.
O Processo de Seleção
Na época, a categoria de Melhor Filme Internacional era definida por uma média de votos, resultando em uma lista de cinco filmes com as melhores avaliações. Após a exibição polêmica, a nota do filme caiu, impedindo sua indicação. No entanto, o filme recebeu quatro indicações em outras categorias: Melhor Edição, Melhor Fotografia, Melhor Direção e Melhor Roteiro Adaptado.
Apesar da esperança de levar uma estatueta, o filme foi superado por “O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei”, que recebeu 11 prêmios.
A Mudança nas Regras
Após a cerimônia do Oscar de 2004, a Academia foi criticada pela indústria de cinema e pela mídia, principalmente pela maneira como os filmes estrangeiros eram selecionados. Para evitar injustiças, em 2005, a Academia encomendou um estudo para repensar o formato de voto.
Demorou mais dois anos até que, em 2007, foi criado o modelo atual de indicações de filmes estrangeiros ao Oscar: a “short-list” (ou pré-lista). Essa lista inclui 15 filmes, garantindo mais espaço para a diversidade cultural na premiação.
Desde 2007, filmes como “A Partida”, “O Segredo dos Seus Olhos”, “A Separação”, “O Apartamento”, “Uma Mulher Fantástica”, “Roma”, “Drive My Car” e “Parasita” receberam a estatueta de Melhor Filme Internacional, consolidando a importância da diversidade no Oscar.
O Brasil e o Oscar
Após as indicações de “Cidade de Deus”, a indústria nacional teve um longo hiato sem indicações ao Oscar em todas as categorias. Fora as indicações de “O Menino e o Mundo” (2016) e “Democracia em Vertigem” (2020), o Brasil ficou de fora da maior premiação do cinema mundial.
As indicações para Melhor Filme Internacional e Melhor Atriz (Fernanda Torres) de “Ainda Estou Aqui” quebraram um jejum de 25 anos da indústria cinematográfica brasileira na premiação. A de Melhor Filme entrou para o hall de ineditismos que a produção tem conquistado desde a primeira exibição em Veneza.
A Estrela de Fernanda Torres
Fernanda Torres, intérprete de Eunice Paiva em “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, foi a primeira brasileira a vencer o Globo de Ouro na categoria de Melhor Atriz e tem boas chances de fazer história, mais uma vez, na premiação do Oscar. Ela compete com Demi Moore, Mikey Madison, Karla Sofía Gascón e Cynthia Erivo.
A atriz também é a primeira brasileira nos últimos 26 anos a concorrer por um papel de drama no Oscar.
“Ainda Estou Aqui” tem sido listado por críticos de todo o mundo como a principal aposta do ano para Melhor Filme Internacional, e Fernanda Torres é considerada favorita ao prêmio de Melhor Atriz, ao lado de Demi Moore. O longa é uma coprodução entre Brasil e França, o primeiro original da Globoplay, com produção da VideoFilmes, RTFeatures e MactProdutions em parceria com a ARTE France e Conspiração.
A distribuição será feita também pela Sony Pictures.
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