COI Retoma Testes Genéticos para Definir Participação em Competições Femininas
Após quase três décadas de abandono, o Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciou, em 26 de julho de 2026, o retorno dos testes genéticos de feminilidade, com aplicação a partir dos Jogos Olímpicos de 2028. A decisão exclui atletas transgênero e um número significativo de atletas intersexo das competições femininas, estabelecendo que a participação está restrita a indivíduos com sexo biológico feminino e sem o gene SRY.
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O COI revogou as regras de 2021 que permitiam que cada federação definisse sua própria política. A nova regra impacta atletas intersexo, que apresentam variações genéticas naturais e foram classificadas como mulheres desde o nascimento. Para evitar a exclusão, atletas que demonstrem “insensibilidade total aos andrógenos” – ou seja, a incapacidade de seus corpos utilizarem a testosterona – poderão ser isentos, através de um exame complexo e dispendioso.
Essa política, a primeira grande iniciativa da presidente zimbabuense Kirsty Coventry desde sua eleição em 2025, não é retroativa. Isso significa que a medalha de ouro conquistada pela boxeadora argelina Imane Khelif em Paris, que reconheceu possuir o gene SRY, permanece válida.
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A entidade responsável pela realização dos testes será as federações internacionais e instituições esportivas nacionais, utilizando saliva, raspado bucal ou amostra de sangue.
Detalhes da Implementação e Controvérsias
A medida já está em vigor em três modalidades esportivas – atletismo, boxe e esqui – embora sua aplicação apresente desafios práticos e legais. O COI adotou testes cromossômicos de verificação de sexo entre 1968 e os Jogos Olímpicos de Atlanta-1996, antes de abandoná-los em 1999, sob pressão da comunidade científica e de sua própria comissão de atletas.
Reações e Críticas
A política de Coventry enfrenta forte oposição. Especialistas das Nações Unidas e juristas de diversas partes do mundo alertam para o caráter anacrônico e prejudicial dos testes, que violam leis de não discriminação e proteção da privacidade.
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Um editorial no British Journal of Sports Medicine descreveu a medida como “anacronismo desastroso”, destacando a falta de dados científicos que comprovem uma vantagem atlética em atletas intersexo com o gene SRY.
Foco no Futuro dos Jogos Olímpicos
Kirsty Coventry, que se tornou a primeira mulher e a primeira pessoa de origem africana a liderar o COI, busca renovar o modelo econômico dos Jogos Olímpicos. No entanto, a ativista Andrea Florence, da Sport and Rights Alliance, critica a concentração do COI nas regras de elegibilidade, desatendendo questões como financiamento desigual, acesso ao esporte e disparidades salariais de gênero.
