Copom deve manter Selic em 15%! XP Investimentos muda o jogo após alta do petróleo e crise no Oriente Médio. Saiba mais!
A XP Investimentos revisou sua projeção para a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que ocorrerá nesta quarta-feira. Inicialmente, a instituição apostava em uma redução de 0,50 ponto percentual na taxa básica de juros, a Selic.
No entanto, a XP adota uma postura mais cautelosa, agora acreditando que o Copom manterá a Selic estável em 15% ao ano.
Essa mudança de perspectiva se deve, em grande parte, ao aumento do preço do barril de petróleo do tipo Brent, que subiu cerca de 60% desde a última reunião do Copom em janeiro. Esse aumento, impulsionado pela escalada de tensões no Oriente Médio, tem impactado diretamente os custos de combustíveis, transporte e, consequentemente, a inflação, que já apresentava desafios em relação à meta estabelecida pelo Banco Central.
Além do choque externo, a economia brasileira tem demonstrado sinais de recuperação. Após um período de desaceleração em 2025, o crescimento econômico voltou a acelerar no início de 2026, com o desemprego em níveis historicamente baixos, aumento do crédito disponível e um consumo robusto das famílias.
A XP estima que o Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre de 2026 cresceu a um ritmo anualizado de 4%, superando as expectativas iniciais.
Essa dinâmica econômica mais favorável complica o cenário para o Banco Central, que enfrenta o desafio de controlar a inflação em um ambiente de crescimento econômico. A avaliação é que, quando a economia está em expansão e a inflação persiste em resistir à queda, reduzir os juros pode ser prematuro.
Os índices de inflação, como o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a variação de preços mais volátil, continuam acima da meta de 3% estabelecida pelo Banco Central. As expectativas do mercado para a inflação futura também permanecem elevadas, indicando que a pressão inflacionária ainda é um fator relevante.
A XP adota uma postura de “esperar para ver”, argumentando que o Copom não deve iniciar o ciclo de cortes de juros em março, a menos que o cenário econômico se confirme. A instituição acredita que, diante das incertezas, é mais prudente adiar a decisão e aguardar por mais evidências em abril.
A XP reconhece que o mercado financeiro, através de apostas em bolsas de opções, revisou suas expectativas, com a probabilidade de corte em março agora dividida entre a manutenção da Selic e um corte menor de 0,25 ponto percentual. A instituição ainda acredita que cortes de juros podem ocorrer, mas dependem da resolução da tensão no Oriente Médio e da queda do preço do petróleo, que atualmente se mantém em patamares elevados.
A projeção da XP prevê quatro cortes de 0,50 ponto percentual na Selic a partir de abril, elevando a taxa para 13% ao ano no final de 2026. No entanto, essa previsão depende da estabilização do cenário geopolítico e da redução do preço do petróleo, o que, por sua vez, manteria os juros reais no Brasil em níveis elevados, acima do chamado nível neutro, que não estimula nem freia a economia.
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