A bolsa de valores da Coreia do Sul foi a única entre os principais mercados globais a interromper as negociações nesta quarta-feira, 4, devido a uma queda impressionante de mais de 12% no índice Kospi. Esse movimento, desencadeado pelo aumento da tensão no Irã, demonstra a fragilidade do mercado asiático diante de eventos geopolíticos.
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A situação envolve uma combinação de fatores, incluindo a estrutura do mercado, o recente crescimento acentuado e a composição setorial do índice Kospi.
Experiências Anteriores e Contexto Global
Não se trata do primeiro momento em que o circuito de proteção do mercado sul-coreano é acionado. O mecanismo já foi utilizado em outras ocasiões de grande aversão ao risco no mercado financeiro global. A Coreia do Sul já enfrentou momentos de estresse sistêmico, como durante a crise financeira de 2008, após o colapso da Lehman Brothers, e na fase mais intensa da pandemia de COVID-19, em março de 2020.
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Esses eventos evidenciam a vulnerabilidade do país a choques externos.
Análise do Mercado e Fatores de Risco
Artur Horta, diretor de análise da The Link Investimentos, atribuiu a paralisação do mercado a um aumento da aversão a mercados emergentes nos últimos meses, o que levou a uma supervalorização de algumas empresas e a uma desconexão dos resultados das empresas com as cotações.
Ele observou que o “prêmio de risco” para mercados emergentes havia se comprimido significativamente. A situação foi agravada pelo conflito no Oriente Médio, com a participação de potências como Estados Unidos e Israel, e pela ausência de setores tradicionalmente considerados defensivos, como o do petróleo e mineração.
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Concentração Setorial e Impacto nas Ações
O índice Kospi é fortemente concentrado em tecnologia, semicondutores e manufatura, o que o torna mais sensível a oscilações nesses setores. Durante o pregão de maior turbulência, as ações da Samsung Electronics e da SK Hynix apresentaram quedas significativas, intensificando a pressão sobre o índice.
A falta de empresas de petróleo na bolsa sul-coreana contribui para essa vulnerabilidade.
Opiniões de Especialistas e Perspectivas
Lorraine Tan, diretora de pesquisa de ações para a Ásia da Morningstar, destacou que o mercado sul-coreano amplifica movimentos em momentos de estresse. Artur Horta ressaltou que, ao contrário de outros emergentes, a Coreia do Sul não possui um peso relevante de empresas ligadas a commodities energéticas, o que a torna mais vulnerável a eventos geopolíticos.
Ele usou a analogia de um goleiro de futebol, afirmando que a Coreia “ficou sem nada para salvar” durante o período de turbulência.
Daniel Yoo, estrategista da Yuanta Securities, apontou que o mercado acionário sul-coreano é particularmente sensível a oscilações nos preços do petróleo e a choques externos. Ele acredita que uma normalização tende a ocorrer à medida que os preços do petróleo se estabilizam.
Diversificação Setorial e Mercados Comparados
Outros mercados, como o Nikkei, no Japão, e o S&P 500, nos Estados Unidos, apresentam maior diversificação setorial e a presença de empresas de diversos setores, incluindo commodities, o que limita as quedas em momentos de choque geopolítico. Esses setores tendem a se valorizar em cenários de incerteza, compensando perdas em outros segmentos e funcionando como um fator de sustentação.
