Costa Rica enfrenta desafios: economia forte, mas violência e desigualdade crescem. A ascensão como economia de alta renda (US$ 18.587/hab.) preocupa. Eleições focam em combate à violência
Em 2025, a Costa Rica consolidou uma transformação notável: o país ascendeu ao status de economia de alta renda. O Banco Mundial classificou o país como um dos mais ricos da América Latina, com um Produto Interno Bruto (PIB) per capita de US$ 18.587 em 2024.
Essa valorização se baseava em um crescimento robusto nos anos anteriores, impulsionado pela demanda interna, investimentos estrangeiros e uma relativa estabilidade política. A economia diversificou-se, combinando a exportação de produtos agrícolas, serviços especializados e o setor de turismo.
No entanto, essa ascensão econômica coincidiu com um aumento preocupante da violência. O tema se tornou central nas eleições presidenciais, realizadas em 1º de fevereiro, e a vitória da candidata eleita, que defende medidas mais rigorosas no combate ao crime, refletiu a crescente preocupação da população.
A disputa eleitoral evidenciou um cenário complexo, marcado por tensões entre diferentes setores da sociedade.
A violência, que antes era vista como uma das menores preocupações no país, tornou-se um problema crônico. A taxa de homicídios disparou para 17 casos por 100.000 habitantes em 2025, em comparação com 11,2 em 2019. A maioria dos crimes está ligada ao tráfico de drogas, com as favelas se tornando centros logísticos para cartéis colombianos e mexicanos.
A situação é agravada pela desigualdade social, com um índice de Gini de 45,8, significativamente maior que o de outros países da região.
Mauren Jiménez, uma líder comunitária de 54 anos, testemunha o impacto da violência em sua comunidade. Ela ajuda a enterrar jovens que perderam a vida devido ao crime, muitas vezes vítimas de pobreza e falta de oportunidades. “Enterrar um familiar a quem mataram com 14, 15 anos, é muito difícil”, afirma Jiménez à AFP.
A situação é tão grave que alguns pais não têm recursos para realizar os rituais funerários ou transportar os corpos para velar. A violência, conhecida como “pão de cada dia”, é um problema persistente nas áreas mais marginalizadas do país.
O diretor do Organismo de Investigação Judicial (OIJ), Michael Soto, descreve a situação como um “ciclo vicioso”. Ele explica que a maioria das vítimas são jovens de comunidades pobres, que veem no crime uma forma de ascensão social. Soto reconhece que a solução exige abordar as causas da violência, como a falta de oportunidades e a desigualdade social.
A candidata eleita propõe medidas drásticas, como a construção de um mega-presídio e a declaração de estados de exceção, enquanto seus oponentes defendem o reforço da vigilância policial e naval. A situação exige um debate complexo e soluções que levem em conta as necessidades da população mais vulnerável.
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