Pagamentos B2B no Brasil: A Realidade do Crédito a Prazo
O sistema de pagamentos B2B no Brasil é predominantemente baseado em crédito, com grande parte das transações sendo liquidadas a prazo. Um estudo recente, divulgado pela Qive, revelou que 77% das operações entre empresas são realizadas com prazos de pagamento estipulados.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
O levantamento, que analisou mais de 500 milhões de notas fiscais emitidas entre janeiro de 2023 e dezembro de 2025, apontou um volume impressionante de R$ 4,1 trilhões transacionado fora do pagamento imediato. Quando se considera um intervalo de pagamento superior a 15 dias, esse volume aumenta para R$ 2,41 trilhões, representando mais de 51,2% de todos os documentos emitidos nesse período, majoritariamente através de boletos e duplicatas.
O Papel da Qive e do Financiamento Corporativo
“No B2B brasileiro, pagar a prazo não é exceção, é regra e parte da infraestrutura da economia real”, afirma Ísis Abbud, co-CEO e cofundadora da Qive. Ela destaca que o financiamento corporativo vai muito além dos bancos tradicionais, refletindo a necessidade de capital de giro e o gerenciamento de riscos de crédito entre as empresas. A Qive, fundada em 2023, tem se dedicado a analisar e fornecer insights sobre o mercado de pagamentos B2B no Brasil.
LEIA TAMBÉM!
Boletos e Duplicatas: A Base do Crédito Corporativo
Mesmo com a possibilidade de prazos, o mercado busca soluções simples para a liquidação de pagamentos. Em média, 77% do montante pago a prazo em operações com intervalo superior a 15 dias é quitado em parcela única. O boleto bancário, atrelado à duplicata, continua sendo o instrumento mais utilizado para formalizar essas dívidas comerciais, concentrando 74% do valor movimentado a prazo nos pagamentos B2B. Essa combinação tem se mostrado fundamental para o sistema de pagamentos corporativos no Brasil.
Setores que Mais Utilizam o Crédito Comercial
O estudo da Qive mapeou quais setores mais dependem do crédito comercial em 2025. O varejo se destaca como o principal consumidor, concentrando 65,6% das compras a prazo, o equivalente a 72,5 milhões de documentos e movimentando R$ 655 bilhões, representando 50% de todo o montante registrado. A indústria ocupa a segunda posição, com 15,1% do volume de documentos e R$ 463 bilhões em valor, correspondendo a 35,2% do total.
Juntos, varejo e indústria somam cerca de 87% de todo o montante transacionado via boletos e duplicatas a prazo. “No varejo, o prazo com fornecedores é uma ferramenta de gestão de caixa em um setor de margens apertadas e alta rotatividade de estoque. Na indústria, o cenário exige ainda mais precisão e controle no backoffice para evitar impactos no fluxo de caixa e na produção”, explica Abbud.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Setor de Saúde e a Dependência de Prazos
O setor de saúde ocupa o terceiro lugar no ranking, com 90,2% do valor movimentado a prazo, dos quais 72,2% via boleto ou duplicata. Essa dependência de prazos é atribuída aos longos períodos de recebimento de operadoras e convênios.
A Duplicata Escritural e a Transformação do Mercado
Uma mudança regulatória está em curso, com a Duplicata Escritural, versão eletrônica do título de crédito tradicional, entrando em fase de adoção voluntária no primeiro trimestre de 2026. Até o fim do ano, o formato será obrigatório para grandes corporações, com extensão para médias e pequenas empresas até o final de 2027.
“A Duplicata Escritural tende a ser um divisor de águas para reduzir fraudes e aumentar a eficiência do crédito entre organizações”, diz Christian de Cico, co-CEO e cofundador da Qive. Ao contrário do modelo físico, o documento digital é registrado em sistemas autorizados e vinculado diretamente à Nota Fiscal Eletrônica, ampliando a transparência das operações.
