Juros Altos Refletem Problemas Profundos na Economia Brasileira
A manutenção da taxa Selic em 15%, o maior patamar dos últimos 20 anos, não é apenas uma medida para controlar a inflação, mas sim um sintoma de uma crise mais profunda na economia brasileira, segundo o economista Luiz Fernando Figueiredo, ex-diretor de Política Monetária do Banco Central e sócio do Conselho Consultivo da Jubarte Capital.
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Figueiredo, durante uma discussão no Mercado & Opinião, um fórum que reúne empresários e especialistas para analisar o cenário político e econômico de 2026, argumentou que a alta taxa de juros é uma “dose de remédio absurdamente grande” necessária para lidar com uma “doença grave” na economia.
O economista ressaltou que a taxa de juro real brasileira em 10% é considerada um “crime” devido à situação econômica, mas que essa alta é uma consequência da atuação de governos que implementam programas de estímulo à demanda, enquanto o Banco Central tenta, por meio da Selic, desacelerar a economia.
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Figueiredo enfatizou que a política monetária se tornou menos eficiente devido a fatores políticos, e que o Brasil precisa reduzir sua dívida pública para que o Banco Central possa manter juros mais baixos.
As estimativas do mercado indicam que a dívida bruta do Brasil pode atingir 85% do PIB em 2026, impulsionada por gastos e créditos tributários. Em 2025, a dívida já se encontra próxima de 80%, um dado que ainda será confirmado pelo governo.
Para conter o crescimento da dívida, o economista sugere um ajuste fiscal, com uma redução de 2,5% do PIB em gastos públicos, o que poderia diminuir o risco e o custo de rolamento da dívida, levando o déficit nominal para cerca de 5%.
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