Déficit Primário Surpreende! Governo Federal Registra Melhora em Fevereiro de 2026
O governo central divulgou nesta segunda-feira (30) um déficit primário de R$ 30,046 bilhões em fevereiro de 2026. A notícia, apresentada pelo Tesouro Nacional, surpreendeu positivamente o mercado, que previa um resultado ainda mais negativo. O déficit foi significativamente menor que o registrado em fevereiro de 2025, com uma queda real de 8,4% em comparação, representando o menor valor para o mês de fevereiro desde 2022, quando o rombo foi de R$ 24,510 bilhões.
O resultado positivo do mês foi impulsionado por um aumento nas receitas líquidas, que somaram R$ 157,681 bilhões, um crescimento real de 5,6% em relação ao mesmo período de 2025. Esse aumento foi notavelmente influenciado pelo crescimento da arrecadação da Receita Federal, principalmente devido ao aumento do IOF (35,6%) e da Cofins (8,1%), além de um aumento na arrecadação para o Regime Geral de Previdência Social.
Por outro lado, as despesas totais registraram um aumento de 3,1%, atingindo R$ 187,727 bilhões.
As despesas que mais contribuíram para o aumento foram as discricionárias (+R$ 5,4 bilhões), os gastos com pessoal e encargos sociais (+R$ 2,2 bilhões) e os benefícios previdenciários (+R$ 1,7 bilhão). Esses aumentos refletem, em parte, as políticas de expansão do governo e os custos associados à Previdência Social.
No acumulado dos dois primeiros meses de 2026, o governo central alcançou um superávit primário de R$ 56,854 bilhões, graças ao resultado positivo de janeiro. Esse saldo representa um aumento real de 1,4% em relação ao verificado no mesmo período de 2025.
No entanto, especialistas alertam que déficits primários como este pressionam a dívida bruta brasileira, atualmente em 78,7% do Produto Interno Bruto (PIB), e que também sofre com os altos juros.
Durante uma entrevista, o secretário do Tesouro, Daniel Leal, afirmou que, em todos os cenários projetados, a dívida continua sustentável. Ele ressaltou que existem diversas maneiras de compensar o impacto da Selic, que atualmente está em 14,75% ao ano, e que a trajetória da dívida não depende exclusivamente da taxa básica.
O mercado, contudo, tem projetado um ciclo menor de cortes da Selic devido à guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, que impacta os preços do petróleo e, consequentemente, a inflação.
A mediana das projeções dos economistas para a Selic no fim deste ano está em 12,50% – acima dos 12,00% de um mês atrás, antes do conflito. Essa incerteza contribui para a cautela do mercado em relação à trajetória da dívida pública brasileira.
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