Desaparecida a sacola de remédios! Uma busca frenética, reflexos, e a ajuda de um “garagista” do céu! Descubra o destino do suplemento de ferro e a hilária verdade por trás da confusão
Fui à farmácia comprar um remédio para meu filho: um suplemento de ferro, para compensar a careta que ele faz ao comer feijão. Quando cheguei lá, a pergunta me atingiu como um raio: “O que vim comprar aqui mesmo?”. Lembrei que precisava de um medicamento para minha saúde intestinal/mental – um laxante, para ser preciso – e, sem pensar muito, peguei uma cartela de Novalgina no caixa.
Afinal, nunca é demais, certo?
Fui para casa, mas logo me vi saindo em direção ao dentista. No carro, a mente começou a divagar: “Onde foi que eu deixei a sacola de remédios mesmo?”. E, claro, a resposta surgiu: “Deve estar aqui no banco de trás.” Virei o pescoço, mas o que encontrei foi um torcicolo, nada da sacola.
Me lembrava vagamente de ter entrado com ela em casa, mas havia um detalhe: na véspera, eu já havia ido à farmácia. Ou seja, podia ser um déjà vu. Envio uma mensagem para Selma, minha fiel escudeira. Ela sabe exatamente onde está cada clip da casa, jamais deixaria algo do tamanho de uma sacola passar despercebido.
Na verdade, se minha cabeça não estivesse grudada nesse pescoço dolorido, a sacola certamente estaria esquecida num corredor da farmácia. De repente, tive uma ideia! Liguei para Selma e, com a voz embargada, perguntei: “Querida, se eu não lembro onde deixei o remédio que comprei hoje de manhã, qual a chance de eu saber o número da nota fiscal que, provavelmente, ficou na sacola?”.
A cada negativa, os pensamentos de que eu era uma anta faziam com que meu chicote invisível estalasse justamente na minha cervical. Só me restava repassar na cabeça tudo o que fiz durante o dia. Levei meu filho na escola… Será que ficou lá? Bom, como ainda não conseguimos voltar no tempo, era impossível.
Fui à farmácia depois de deixá-lo. Será que ficou no meu namorado? Mais uma hipótese impossibilitada, já que acabei não passando na casa dele, pois saiu mais cedo para academia. O estacionamento do prédio do dentista era super apertado e estava abarrotado de carros.
Um garagista me sinalizou dizendo algo como: “Primeiro andar lotado, lá embaixo tem vaga.” Segundo subsolo: zero. Terceiro: zero (em inglês). Quarto: zéro (francês). Fui descendo as infinitas rampas até parar antes de uma delas (que certamente levaria ao inferno), em um ataque de pânico.
Precisava desesperadamente sair daquele calabouço. Mas como, meu Deus??? Cheguei a tremelicar o queixo e fazer biquinho, quase caindo num pranto, e isso não é uma metáfora. Até que encontrei um funcionário: “Moço, pelo amor de Deus, onde é a saída desse lugar?” Queria dizer inferno, mas sufoquei para ele não achar que eu estava chamando-o de coisa ruim.
Prontamente respondeu: “A senhora já pagou o ticket no guichê?” Eu: “Não tem tolerância?” Me referindo ao tempo que poderia sair sem pagar e a tolerância do universo comigo. Não havia nenhuma das duas. Então ele disse, prestativamente: “Tem uma vaga ali, ó.” Veja, eu consigo montar um lava-louça como ninguém, mas encaixar meu veículo de ré numa vaga minúscula, não é da minha alçada.
Aprendi isso na dor, ao arranhar meu carro em pilastras. Gentilmente, ele disse: “Eu estaciono pra senhora.” Afinal, ele era filho de Deus.
Na dentista, fiz uma limpeza nos dentes. Depois disso, fui tomar um café com bolo com uma amiga, que trabalhava no prédio, e comecei a criar tártaro para a próxima limpeza. Voltei pra casa. Ao chegar, dei uma boa procurada prometendo 3.333 pulinhos para o São Longuinho, mas ele já não cai mais na minha.
Comecei a rebobinar mentalmente tudo o que fiz no dia. Só restavam duas possibilidades: ou joguei a sacola no lixo, ou o garagista pegou. Eu odeio transferir a culpa das minhas cagadas, mas eu estava cega de (auto)ódio. Revirei o lixo com um saco plástico de “luva”.
Até olhei pra ver se não era o saco do remédio. Só encontrei casca de banana e pote de iogurte mesmo. Aí pensei no manobrista, mas refleti: tendo acesso a milhares de carros, quem em sã consciência iria roubar remédios pra soltar o intestino e pra dor de cabeça?
Confirmei, aquele garagista era do céu. Exausta, liguei pra minha mãe, que perguntou: “Filha, você não guardou os medicamentos em algum lugar?” A gente tenta negar, mas as mães estão quase sempre certas. Abri a frasqueira que chamo de “farmacinha” e estavam lá: duas caixas rosa achatadas e uma cartela verde.
Ufa! Aí você me pergunta: tudo resolvido, né? Infelizmente não, dado que o suplemento de ferro que fui comprar na farmácia ainda estava na gôndola esperando eu colocar minha cabeça no lugar e, finalmente, comprá-lo.
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