Davos: Trump causa crise no dólar! Debate acalorado sobre o futuro da moeda americana e a independência do Fed. Especialistas alertam para desgaste na confiança e buscam alternativas
O Fórum Econômico Mundial, em Davos, foi palco de debates acalorados sobre o futuro do dólar americano. O presidente Donald Trump, ao questionar a independência do Federal Reserve (Fed), gerou instabilidade no mercado. Especialistas alertam para um enfraquecimento gradual da moeda, um processo que, segundo eles, foi acelerado pelas ações do governo.
Economistas como Kenneth Rogoff, ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), apontam que mudanças nesse tipo de cenário não ocorrem de forma abrupta. No entanto, observam sinais claros de desgaste na confiança nas instituições americanas, com potenciais efeitos de longo prazo.
A preocupação central reside na mistura de objetivos políticos com decisões econômicas, o que pode comprometer a estabilidade do dólar.
Em meio a essas incertezas, surgem novas alternativas. A tecnologia, especialmente o avanço das stablecoins, amplia as opções. A inflação, uma grande preocupação dos americanos, também contribui para essa busca por alternativas. A percepção de que manter reservas em dólar se tornou um risco de alto custo também influencia as decisões.
Jeffry Frieden, professor de Harvard, ressalta a ameaça à independência do Fed, um fator crucial para a confiança no dólar. O CEO do JPMorgan, Jamie Dimon, reforça a importância de um Fed independente, uma posição compartilhada por muitos, incluindo o próprio Trump.
A análise da Suprema Corte dos EUA sobre a tentativa de demissão da diretora do Fed Lisa Cook, intensifica ainda mais a discussão sobre a proteção institucional do banco central.
Apesar das críticas, os economistas reconhecem que o dólar ainda não possui um substituto claro. A moeda americana continua dominante nas transações cambiais globais e nos sistemas de pagamento internacionais. O que se observa é uma marginalização gradual em algumas regiões e uma diversificação das reservas, com foco em ativos como o ouro e acordos bilaterais.
A percepção é que, no curto prazo, não há uma corrida para o euro, mas uma busca por ativos mais seguros.
Em Davos, o debate sobre o futuro do dólar transcendeu as questões puramente econômicas, tornando-se um tema institucional. A incerteza em relação à independência do Fed e à previsibilidade da política americana continuam a pressionar a confiança na moeda dos Estados Unidos, mesmo que sua hegemonia persista no curto prazo.
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