Dólar rompe R$ 5,00! Saiba por que o mercado financeiro reagiu e o que Elson Gusmão e Beto Saadia dizem sobre o futuro do câmbio. Clique e confira!
Nesta terça-feira, 14 de abril, o mercado financeiro acompanhou movimentações importantes. Na noite de segunda-feira (13), o dólar comercial encerrou o pregão a R$ 4,997. Este foi um marco significativo, pois foi a primeira vez em mais de dois anos, desde 23 de março de 2024, que a moeda americana não fechava abaixo do nível psicológico de R$ 5,00.
Apesar da pequena diferença em relação aos R$ 5,00, o rompimento desse patamar de câmbio carrega um peso considerável. Elson Gusmão, diretor de Câmbio da Ourominas, atribuiu o cenário a um maior apetite ao risco no mercado. Ele apontou que fluxos externos favoráveis a economias emergentes e a entrada de capital estrangeiro, especialmente em renda fixa local, impulsionam essa tendência.
Segundo Gusmão, esse movimento contribui diretamente para a valorização do real, exercendo pressão de baixa sobre o dólar. Por sua vez, Beto Saadia, economista-chefe da Nomos, ressalta que a apreciação do real frente ao dólar não é um fenômeno inédito.
Ele observa que essa tendência se manifesta desde 2025 e se intensificou no início de 2026.
Saadia explica que o Brasil tem atraído considerável capital externo devido a fatores como uma taxa de juros elevada e uma balança comercial superavitária, impulsionada principalmente por commodities agrícolas. Para ele, isso posiciona o país em uma condição mais favorável, inclusive no contexto da política tarifária dos Estados Unidos.
O economista também ressalta que essa atração de recursos não é exclusiva do Brasil. Outras economias emergentes estão recebendo investimentos como parte de uma estratégia de diversificação, visando reduzir a dependência do mercado americano.
Contudo, a disputa por esses recursos foi alterada pela tensão entre Estados Unidos e Irã.
Vários países que antes recebiam fluxos de capital destinados aos EUA, como Colômbia, Chile, México, Canadá e Coreia do Sul, estão enfrentando fragilizações devido ao aumento dos preços do petróleo. A Coreia do Sul, por exemplo, depende muito de energia importada e derivados de petróleo, essenciais para sua indústria de hardware ligada à inteligência artificial, segundo Saadia.
Outros concorrentes do Brasil também apresentam desafios. A Colômbia lida com instabilidade institucional entre governo e banco central. México e Canadá enfrentam questões ligadas à política tarifária americana, enquanto o Chile, por ser uma economia menor, tem menor capacidade de absorver grandes volumes de investimento.
Nesse cenário, Saadia conclui que o Brasil tende a concentrar esses recursos, tanto por seus fundamentos econômicos quanto pela dificuldade de outros países. Ele não descarta a possibilidade de o dólar cair para R$ 4,90 no longo prazo, embora essa trajetória possa apresentar oscilações.
Em outro destaque de segunda-feira, o Ibovespa atingiu um novo recorde, ultrapassando 198 mil pontos. Este foi o segundo recorde consecutivo, após fechar acima de 197 mil pontos na sexta-feira (10). Mesmo com uma alta nominal modesta de apenas 0,3% na segunda, o avanço em direção aos 200 mil pontos sinaliza otimismo entre os investidores.
A terça-feira começa com um tom otimista devido às expectativas de retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã. O petróleo Brent está cotado a US$ 98,6, representando uma queda de 0,75% em relação à segunda-feira. Os contratos futuros dos principais índices americanos e o ETF EWZ iShares MSCI Brazil mostram alta no pré-mercado.
Os indicadores econômicos apontam para expectativas de crescimento no setor de serviços no Brasil e dados de inflação nos EUA. Para o setor de serviços brasileiro, o crescimento esperado para fevereiro é de ND, comparado a 0,3% no ano anterior. Nos EUA, a inflação no atacado (IPP) de março tem expectativa de 1,1%, contra 0,7% registrado anteriormente.
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