Filhote de Elefante-Marinho Reinserido à Natureza no Paraná
Um filhote de elefante-marinho foi solto no litoral do Paraná nesta quarta-feira, 21. O animal, resgatado no final de 2025, é o primeiro da espécie a ser reinserido pelo Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) após 10 anos de atuação no estado.
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O caso raro ocorreu quando a Polícia Militar do Paraná, durante uma ação de monitoramento da orla em Balneário de Monções (PR), encontrou o filhote em 26 de dezembro.
O processo de reabilitação foi conduzido pela equipe do Laboratório de Ecologia e Conservação da Universidade Federal do Paraná (LEC-UFPR), por meio do PMP-BS. Segundo a coordenadora do projeto, Camila Domit, a passagem da espécie pela região e o nascimento do filhote no território nacional são inéditos para a ciência. “O fato desse animal estar aqui, o fato dele ser reabilitado e ser devolvido à natureza nos relembra que temos um compromisso com o oceano”, afirmou.
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Reabilitação do Filhote
Após os procedimentos padrão de resgate, o animal foi direcionado para os cuidados do LEC-UFPR. Os pesquisadores explicaram que o filhote chegou debilitado e com quadro de pneumonia. Durante sua estadia no Paraná, ele passou por exames e foi medicado.
A médica veterinária Juliana Bresciani, responsável pelo acompanhamento, detalhou que o filhote também recebeu uma dieta reforçada, complementada com uma quantidade maior de peixes para ganhar peso e se preparar para o retorno à natureza.
Destino e Percurso
Ao final da reabilitação, o filhote, um macho com 68 kg e 1,80 m de comprimento, foi devolvido para o oceano na região do Parque Nacional Marinho das Ilhas dos Currais, a 14 quilômetros da costa paranaense. A expectativa é que ele viaje cerca de 2.500 km até a Península de Valdés, na Argentina, região onde a espécie se reproduz.
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Camila Domit explicou que o local de soltura foi escolhido para evitar o contato do bebê elefante-marinho com humanos e a contaminação com doenças de outros animais. Ao longo do seu percurso, ele deverá realizar paradas em ilhas entre o Brasil, Uruguai e Argentina para descansar e se alimentar.
Monitoramento e Pesquisa
Para acompanhar o filhote durante o percurso, os pesquisadores inseriram um transmissor satelital na cabeça do animal, que se desprenderá em cerca de seis meses. O aparelho funcionará como uma antena e enviará informações sobre o deslocamento e comportamento do animal, incluindo a profundidade e padrões do nado, tempo de submersão e rotas migratórias.
O coordenador geral do PMP-BS, André Barreto, ressaltou a importância dessas informações para a ciência oceânica e a conservação da biodiversidade. “Ainda sabemos pouco sobre a espécie e os primeiros deslocamentos desses animais, assim como é essencial compreender como será a readaptação após a reabilitação”, disse.
Sobre o PMP-BS
O PMP-BS é um projeto que avalia possíveis impactos das atividades de produção em aves, tartarugas e mamíferos marinhos. As equipes monitoram as praias, realizam atendimento veterinário e necropsia de animais encontrados mortos. O projeto cobre a costa desde Laguna (SC) até Saquarema (RJ) com divisão em 15 trechos.
O LEC/UFPR é responsável pelo Trecho 6, que abrange os municípios paranaenses de Guaratuba, Matinhos, Paranaguá, Pontal do Paraná e Guaraqueçaba.
