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Em Maceió, solo de mina desce 5,7cm em um dia e totaliza 2,06m


Em Maceió, solo de mina desce 5,7cm em um dia e totaliza 2,06m
(Foto Reprodução da Internet)

A área ao redor de uma mina de sal-gema em Maceió, Alagoas, está afundando mais devagar agora. Mas as autoridades ainda estão preocupadas. Segundo informações da Defesa Civil do estado, nas últimas 24 horas, houve um movimento total de 5,7 cm.

O afundamento atingiu uma profundidade de 2,06 metros. Além disso, a velocidade diminuiu de 0,28cm/hora para 0,23cm/hora. As autoridades recomendam que as pessoas evitem passar pelo bairro do Mutange.

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O pior cenário seria o colapso da área, com cratera que poderia chegar a 152 m de raio. O bairro do Mutange, em Maceió (AL), que faz parte da zona crítica para risco de colapso, registrou mais de mil abalos sísmicos no espaço de cinco dias.

Quando tudo começou em Maceió

As atividades de mineração da Braskem nesses poços de sal-gema provocaram o deslocamento do solo há anos, numa situação que já obrigou mais de 55 mil pessoas a deixarem suas casas desde 2018, quando foi sentido o primeiro tremor de terra no bairro do Pinheiro.

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Após esse abalo, surgiram relatos de rachaduras em imóveis e crateras em vias públicas, que se expandiram para o Mutange, Bebedouro, Farol e Bom Parto, que, junto ao de Pinheiro, são os cinco bairros de Maceió afetados pela escavação do solo.

As investigações foram iniciadas e, somente em 2019, o Serviço Geológico do Brasil (SGB), que antes se chamava CPRM, divulgou um relatório com estudos concluindo que a extração de sal-gema realizada pela Braskem há mais de 44 anos é a causa do problema.

No início, em 1975, a responsável pela escavação foi a Salgema Indústria Química de Alagoas, que depois passou a ser chamada de Braskem. Ao todo, são 35 minas de sal-gema escavadas no solo da área urbana de Maceió. Segundo a Braskem, todas elas estão sendo fechadas e estabilizadas desde 2019.

A empresa parou de extrair sal-gema em Maceió em 2019. A Braskem é uma parceria entre a Petrobras e a Novonor (antiga Odebrecht), sendo a Petrobras controlada pelo governo federal.

Veja reportagem especial do Metrópoles sobre a tragédia nas minas de sal-gema da Braskem em Maceió.

Como estão os moradores agora?

A Braskem criou um programa chamado de Compensação Financeira e Apoio à Realocação para remoção dos mais de 14 mil imóveis em áreas de risco. Essa medida foi tomada para reparar o dano em acordo com o Ministério Público e a prefeitura.

No acordo entre os donos de imóveis e a Braskem, a empresa vai pagar R$ 5 mil para ajudar nas despesas da mudança, dar R$ 1 mil por mês para o aluguel, por até 24 meses, e vai pagar uma indenização específica para cada caso.

O que diversos moradores relatam é que a indenização proposta pela Braskem é injusta e ínfima em comparação aos danos causados pela desocupação dos imóveis. É por esse motivo que ainda havia pessoas residindo em regiões de criticidade 00, que é a mais elevada e exige realocação.

Além disso, quando a família é realocada, ela precisa esperar para receber o dinheiro da compensação financeira de acordo com um cronograma definido pela Braskem e pelas autoridades públicas. Isso significa que o pagamento não é feito instantaneamente e algumas famílias ainda estão esperando pela indenização.

Já os moradores desses mesmos bairros que vivem em áreas menos críticas continuam morando lá, sem poder se mudar ou receber algum tipo de compensação financeira. Isso faz com que eles se sintam isolados dentro da cidade, como acontece na comunidade dos Flexais, no bairro do Bebedouro.

O governo federal está prestando mais atenção no caso desde que a mina 18 surgiu. As autoridades locais esperam ajudar a encontrar soluções definitivas para as pessoas afetadas e para a cidade de Maceió. A parte isolada da capital está passando por problemas de trânsito e também perdeu escolas e hospitais.


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