Entorse no tornozelo recorrente pode ser sinal de alerta! Instabilidade crônica ameaça sua saúde e impede atividades. Descubra os riscos e como evitar!
Virar o tornozelo ao caminhar, correr ou praticar esportes é algo que acontece com muita frequência. No entanto, quando essa situação se repete com frequência, é importante investigar a fundo. Entorses repetidos de tornozelo não devem ser vistos como um problema comum ou inevitável, pois geralmente indicam uma condição chamada instabilidade crônica do tornozelo, que pode aumentar o risco de novas lesões, causar dor persistente e dificultar as atividades diárias.
Após a primeira entorse, especialmente se o tratamento não for adequado, os ligamentos laterais do tornozelo podem não cicatrizar corretamente. Isso compromete a estabilidade da articulação, tornando atividades simples como caminhar ou movimentos bruscos um risco de novas torções.
A instabilidade crônica do tornozelo é frequentemente causada por uma combinação de fatores, como lesões ligamentares mal tratadas, fraqueza muscular nos músculos que estabilizam o tornozelo, perda da propriocepção – a capacidade do corpo de sentir a posição da articulação – e alterações na forma do pé.
Retornar às atividades físicas muito cedo após uma entorse, sem a reabilitação adequada, aumenta significativamente o risco de recorrência. Cada nova torção causa mais danos aos ligamentos, à cartilagem e, em alguns casos, aos tendões, criando um ciclo de instabilidade progressiva.
Muitas vezes, o paciente sente apenas insegurança ao caminhar ou uma sensação de que o pé “falha”, mas com o tempo, a instabilidade pode evoluir para dor crônica, inchaço persistente e limitação para atividades físicas e tarefas cotidianas.
Se não tratada, a instabilidade crônica do tornozelo pode levar a problemas mais sérios, como tendinites, lesões na cartilagem do tálus e, em casos avançados, artrose precoce na articulação. É fundamental não negligenciar entorses repetidas, especialmente quando elas afetam a qualidade de vida ou impedem a prática de exercícios.
O tratamento inicial, na maioria dos casos, é conservador e inclui reabilitação fisioterapêutica, com foco no fortalecimento muscular, no treino de equilíbrio e na recuperação da propriocepção. O uso temporário de órteses ou tornozeleiras pode auxiliar no retorno às atividades, mas não substitui a reeducação funcional.
Em situações onde o tratamento conservador não é suficiente, a avaliação com um ortopedista especialista em pé e tornozelo é essencial.
Em casos selecionados, a cirurgia pode ser indicada para reconstrução ligamentar, restaurando a estabilidade da articulação e reduzindo o risco de novas entorses. Lembre-se, “virar o pé” não é normal e não deve ser aceito como parte da rotina.
Identificar a causa das entorses repetidas e tratar adequadamente é essencial para evitar complicações futuras e preservar a função do tornozelo a longo prazo.
Dra. Marina Melhado – CRM/SP 179.632 | RQE 121.033 Ortopedista e traumatologista Membro da Brazil Health
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