Estados Unidos impõem sanções ao Corinthians em caso grave

Estados Unidos impõem sanções ao Corinthians em caso que investiga desvios financeiros envolvendo publicidade esportiva.

01/07/2026 18:37

4 min

Loja do Corinthians: clube teve contrato de patrocínio rescindido pela Vai de Bet em 2024
Loja do Corinthians: clube teve contrato de patrocínio rescindid...

Os Estados Unidos anunciaram nesta quarta – feira, dia 1 de janeiro [Ano não especificado], sanções contra pessoas e empresas brasileiras sob acusação federal grave: lavagem de dinheiro ligada à facção Primeiro Comando da Capital (PCC). A medida sancionatória foi divulgada pelo Departamento do Tesouro americano.

O anúncio gerou dúvidas sobre possíveis consequências para o Corinthians devido ao envolvimento indireto em um processo que investiga desvios financeiros relacionados a contrato publicitário firmado entre o clube paulista e a empresa Vai de Bet. O principal alvo desta rodada é denunciado por fraude envolvendo recursos desviados no âmbito esportivo brasileiro.

Acusação dos EUA aponta uso indevido na área futebolística

Segundo comunicado oficial, Shimada teria sido mantido brevemente sob prisão domiciliar no Brasil em janeiro de 2025 porque uma das suas empresas foi utilizada justamente para lavar dinheiro roubado do caixa de um time profissional como parte de esquema fraudulento ligado à publicidade.

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A punição sancionatória recai sobre essa rede que envolveu o Corinthians e a empresa Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda.

Inicialmente, especialistas apontam não haver efeitos diretos da sanção americana contra o clube paulista neste momento. Contudo, os riscos surgem caso se comprove que qualquer entidade tenha agido deliberadamente com objetivo específico de enviar recursos ao PCC ou em apoio material a grupos considerados terroristas pelos EUA.

O rigor legal do “apoio material”

“Para ser considerado um ‘apoio material’, é preciso comprovar uma ação dolosa; ele jamais pode ter ocorrência por mera negligência, imprudência ou imperícia”, explica Berlinque Cantelmo, advogado especialista e diretor institucional na Escola Superior da Advocacia OABMG.

Ele alerta ainda para o aumento dos problemas jurídicos: quando há indícios claros de ciência das empresas envolvidas sobre transacionar dinheiro com organizações criminosas — no contexto americano visto como grupo terrorista —, a situação se torna muito mais complexa.

Neste cenário delicado, as pessoas físicas e corporativas acusadas precisam provar que não houve apoio material. Por isso, especialistas recomendam às companhias brasileiras adotarem regras claras de governança interna e estabelecerem um robusto compliance interno capaz de demonstrar ausência total de conexão entre suas operações empresariais e qualquer organização criminal conhecida

Contextualizando o contrato do Corinthians

O desvio financeiro investigado está ligado ao patrocínio fechado pelo clube em 2024: foi assinado com a Vai de Bet no valor combinado inicial de R360 milhões sob comando da diretoria liderada por Augusto Melo. Acordo previa que seria pago mensalmente à empresa intermediadora Rede Media Social Limitada, montante equivalente a R700 mil mensais.

Esse pagamento representava um acréscimo total estimado na faixa dos R 25,2 milhões até o fim contratual.

No entanto, posteriormente veio à tona informações apontando irregularidades nesse fluxo financeiro; parte dessa quantia estaria sendo direcionada para uma fachada empresarial cujo CNPJ estava em nome de moradora) paulista sem vínculo com os negócios e foi classificado como vítima do esquema pela imprensa local.

A rede investigativa. Na época da investigação conduzida pela Polícia Civil de São Paulo, apurou – se que a Rede Social Media utilizara diversas empresas fantasmas. Essas estruturas foram usadas no desvio dos recursos destinados ao clube ou pagamentos relacionados aos contratos.

O Ministério Público Paulista identificou entre as companhias utilizadas essa Victory Trading — justamente o tipo societário sancionado pelos EUA nesta quarta – feira —, além das acusações iniciais contra Shimada por lavagem de dinheiro em julho de 2025 e associação criminosa envolvendo Augusto Melo na mesma data.

Como funcionam sanções internacionais. As punições americanas são aplicadas pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), parte do Departamento do Tesouro, sem a necessidade prévia de um processo judicial. As restrições têm início imediato após anúncio da medida. Em termos práticos para quem é alvo dessas listas: fica proibido entrar nos Estados Unidos; os bens no país ficam congelados — incluindo contas bancárias —, além das transações financeiras com empresas sediadas ou operando lá fora serem bloqueadas

É importante notar que as regras sancionatórias dos EUA não possuem validade automática dentro do Brasil e o bloco patrimonial deve ser determinado pela Justiça nacional brasileira.

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