A Ascensão do Estrategista Criativo no Cenário Digital
O papel do estrategista criativo, ou creative strategist, emergiu de profundas transformações no mercado digital. Nos últimos anos, o conteúdo se tornou o eixo central nas decisões de consumo. Os fundadores utilizam o alcance das plataformas para dar visibilidade inédita aos seus produtos e serviços.
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Esses mesmos canais são usados para construir um relacionamento mais próximo e com agilidade de resposta sem precedentes. Diante disso, o modelo de marketing tradicional já não atende nem às necessidades das empresas, nem às dos consumidores atuais.
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O Papel do Creative Strategist em um Mercado Orientado por Performance
Assim como vimos o surgimento do estrategista de influência e do gestor de mídia paga no cenário internacional em 2021, a função de creative strategist ganhou destaque. Ela se diferencia das profissões de marketing tradicionais por exigir um repertório cultural específico.
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Este profissional deve orquestrar a cultura em tempo real, lidando com creators, formatos, atualizações algorítmicas e, crucialmente, dados de performance. Isso exige um modelo de atuação baseado em experimentação, agilidade e impacto direto nos resultados do negócio.
Conectando Criatividade, Dados e Aprendizado Contínuo
É possível traduzir essa função como “estrategista de criativos”: seu foco principal é unir criação e performance. O objetivo é garantir que as etapas criativas respondam a um conjunto de hipóteses testáveis.
Diferente do estrategista tradicional, que foca em problemas macro de marca, o creative strategist nasceu da necessidade de empresas nativas digitais escalarem usando canais como fontes primárias de aquisição. Isso é visível em empresas como Guday, Sallve, Bold, Insider e Vhita no Brasil, e AG1, Javy Coffee e Dr Squatch internacionalmente.
O Crescimento do Modelo DTC e a Demanda por Talentos Especializados
Com os esforços nos canais provando sua relevância, empresas nativas digitais alcançaram investimentos em mídia paga online de sete a oito dígitos mensais. Consequentemente, marcas mais estabelecidas passaram a incorporar canais DTC em suas estratégias para competir no mercado.
Essa movimentação não foi aleatória. Um relatório da Business Research Insights apontou que o mercado global de vendas diretas ao consumidor (DTC) atingiu US$ 275 bilhões em 2024, com projeção de chegar a US$ 550 bilhões em 2033, representando um CAGR de cerca de 7,8%.
As Quatro Visões do Profissional
O creative strategist tornou-se uma contratação chave para marcas DTC internacionais. No dia a dia, ele opera com uma visão holística que abrange quatro pilares fundamentais:
- Criação e storytelling: para identificar narrativas e construir histórias envolventes.
- Performance e experimentação: para dialogar com a linguagem dos times de growth.
- Gestão de projetos ágeis: para organizar fluxos e sistemas criativos de maneira eficiente.
- Entendimento profundo do público: para saber qual tipo de influenciador ou criador dará vida à história da marca.
Desafios de Talentos e a Globalização das Carreiras Criativas
Atualmente, há uma escassez de mão de obra qualificada e uma pressão global por profissionais eficientes. Empresas americanas e europeias impulsionaram o modelo de contratação remota (hiring overseas), buscando talentos em países com moedas menos valorizadas para operar em moeda forte.
O impacto foi imediato: jovens com domínio técnico, mesmo sem formação acadêmica tradicional, passaram a ocupar posições globais com salários iniciais de US$ 3.000, podendo chegar a US$ 15.000 mensais.
O Cenário Brasileiro e o Futuro da Área
No Brasil, a consolidação dessa função era vista em plataformas como e Kwai, onde os creative strategists atuam como elos entre o anunciante e as ferramentas da plataforma. Após acompanhar o mercado internacional, é notável o surgimento dessa cadeira em times de aquisição no país.
Este profissional deve responder tanto a lideranças de growth quanto a lideranças criativas 360, seja em modelos híbridos de consultoria e educação. O maior desafio reside na maturidade operacional: é preciso criar sistemas e rituais que garantam escala e previsibilidade, traduzindo insights em hipóteses e, por fim, em aprendizados contínuos, sem que os playbooks fiquem obsoletos.
Tornar-se capaz de fazer essa conexão é uma competência essencial para quem deseja atuar no nível global. O Brasil tem a oportunidade de não apenas acompanhar, mas de liderar uma nova geração de profissionais aptos a pensar na criação com impacto direto na performance.
