EUA impõem nova taxação com foco em produtos brasileiros

EUA impõem taxação com foco em produtos brasileiros, gerando impactos significativos nas exportações nacionais.

17/07/2026 16:35

3 min

Cana-de-açúcar: etanol e açúcar foram alvo das novas taxas
Cana-de-açúcar: etanol e açúcar foram alvo das novas taxas

O Brasil será atingido por um novo ciclo tarifário imposto pelos Estados Unidos, com cobranças que impactam 2.375 produtos exportados pelo país em 2025. Segundo dados da Apex Brasil divulgados na quarta – feira, dia 25, essa nova taxação representa US 7,2 bilhões do total das vendas e corresponde a quase dois décimos percentuais — especificamente 19,2% —, dos bens brasileiros destinados ao mercado americano no ano passado.

Apesar de os EUA terem concedido isenções para uma lista maior (composto por 699 itens), o conjunto inicial ainda abrange um grande número de mercadorias brasileiras sob risco tarifário até que as novas regras entrem vigor em papelão físico: será em 22 de julho. A situação é complexa porque além da tarifa principal anunciada na Seção 301 com acréscimo potencial de 25%, há riscos adicionais relacionados a trabalhos forçados e outras taxas, como detalha matéria especializada sobre exportações nesta sexta – feira, dia 17.

Produtos afetados pelo novo regime tributário

A lista extensa dos itens sujeitos à nova cobrança inclui uma variedade grande para o cotidiano industrial brasileiro. Entre os produtos mais citados estão portas feitas de madeira maciça, móveis diversos, partes específicas de motores automotivos, pneus destinados ao uso em carros, caminhões ou ônibus — além do sebo bovino —, açúcar granulado, granito polido, papéis variados e calçados manufaturados.

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Os estados brasileiros que detêm maior capacidade produtiva desses bens têm um papel central neste cenário comercial desafiador. Santa Catarina (SC) e São Paulo (SP), por exemplo, são responsáveis pela produção total dos itens impactados pelo novo tarifaço; juntos, esses dois estados representam 52% da oferta nacional afetada pelos EUA.

Contudo, o impacto não fica restrito a essas regiões líderes de exportação, atingindo também Alagoas, Goiás, Espírito Santo e Paraná em diferentes níveis de risco produtivo para os mercados americanos.

Isenções ampliadas versus riscos adicionais

Em um movimento que tenta amenizar parte do golpe tarifário anunciado na quarta – feira, Washington ampliou sua lista de isenção quando comparado à proposta inicial divulgada ainda no mês passado (junho). Os itens agora beneficiados com exclusão incluem ferro fundido, peixes frescos ou lagostas processadas, couros diversos, madeiras específicas, plásticos variados, objetos considerados arte além de hidróxido de alumínio.

Essa expansão mostra uma tentativa dos EUA em reajustar o fluxo comercial.

No entanto, os exportadores brasileiros precisam ficar atentos a riscos adicionais significativos para as vendas aos Estados Unidos. Além da tarifa principal que pode chegar a 25%, há um risco adicional e potencial acréscimo de mais 12,5% sobre produtos acusados pelo benefício do uso de trabalhos forçados; essa taxa extra deve ser definida até o final deste mês (julho.

Em paralelo, existe ainda outro processo sob análise por parte americana relacionado ao trabalho análogo à escravidão, podendo levar outra nova cobrança no valor estimado de 9,44%.

Busca pela diversificação em novos mercados. Diante desse cenário incerto nas vendas para os EUA — onde a situação atual mostra que apenas 51,11% dos bens estão isentos e um terceiro grupo representa quase vinte porcento com tarifas da Seção 232 —, é fundamental buscar alternativas. Por conta disso, o presidente da Apex Brasil, Laudemir Muller, anunciou planos ambiciosos.

A agência brasileira lançará ainda neste mês (agosto) uma estratégia de R 130 milhões focada na diversificação geográfica das exportações brasileiras. O plano visa aumentar significativamente as vendas não só no bloco europeu por meio do acordo UE – Mercosul já existente, mas também em países asiáticos emergentes como a Indonésia e Vietnã, buscando estabilizar os fluxos comerciais nacionais contra flutuações tarifárias americanas.

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