Fintech muda rota após regras do FGTS: o que esperar do crédito consignado?

Fintech enfrenta turbulência regulatória! De R$ 250 milhões em FGTS, o foco muda para crédito consignado. Saiba como a Concrédito se adapta em 2026

3 min de leitura

(Imagem de reprodução da internet).

A Adaptação Rápida de Fintech em Meio a Mudanças Regulatórias

No ano passado, a empresa havia estruturado cerca de R$ 250 milhões para financiar a operação de crédito atrelada ao saque-aniversário do FGTS, por meio de sua companhia de crédito, a Concrédito. Esse produto representava o ideal para uma fintech: escala veloz, baixo risco e demanda quase ilimitada.

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A operação estava bem estabelecida, com parceiros financeiros suprindo o fluxo e o crescimento parecia depender apenas da execução estratégica. Contudo, tudo mudou drasticamente em outubro.

Impacto das Novas Regras e a Virada de Chave

As principais alterações regulatórias incluíram um prazo de carência de 90 dias para contratação de empréstimos, um limite de até cinco parcelas anuais com teto de R$ 500 por saque, e a restrição a apenas uma operação de antecipação por ano. “Basicamente disseram: vamos acabar com o produto em 30 dias”, relatou Conzatti.

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Em um mês, o empreendedor precisou redirecionar o negócio, mantendo o *funding*, a tecnologia e a distribuição operando. A alternativa encontrada foi focar em um produto já existente, mas até então secundário na estratégia.

Aceleração para o Crédito Consignado Privado

A mudança regulatória forçou um avanço nesse processo. O passo mais concreto neste novo momento é a captação de R$ 100 milhões por um FIDC pela Concrédito. Este capital será destinado especificamente para financiar o crédito consignado que a empresa comercializa.

Este novo cenário traz consigo desafios significativos, especialmente na comparação entre os dois produtos. No FGTS, o risco é quase inexistente, pois o crédito é garantido por um ativo já existente, facilitando aprovações rápidas e alto volume.

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Diferenças Operacionais e Estrutura Tecnológica

No consignado privado, o jogo é diferente, exigindo análise de crédito, segmentação do público e uma conversão mais qualificada. O fundador aponta que é necessário contatar um grande número de pessoas diariamente para fechar um número considerável de contratos.

Isso demanda uma infraestrutura distinta. Atualmente, cerca de 80% do atendimento da empresa é realizado por inteligência artificial, principalmente em canais como WhatsApp e Instagram. Essa operação foi desenhada para escalar sem depender de um aumento proporcional de pessoal.

Trajetória e Consolidação no Novo Mercado

Os números confirmam o movimento estratégico. Em aproximadamente um ano, a empresa já originou cerca de R$ 400 milhões em crédito consignado privado. Inicialmente, o capital vinha de parceiros e bancos que compravam a carteira gerada pela fintech, e agora conta com o fundo de R$ 100 milhões.

Willian Conzatti iniciou sua jornada empreendedora lavando carros em sua infância, no Rio Grande do Sul, ao lado do pai. Essa experiência precoce ensinou-lhe o valor do esforço.

Do Início ao Crescimento em Escala

Posteriormente, passou por *call centers*, construindo experiência em vendas, metas e operação em grande escala antes de empreender. A empresa foi fundada em 2016, com estrutura modesta, focando em crédito acessível.

Desde o começo, o diferencial não foi apenas o produto, mas sim a capacidade de distribuição. Mesmo sem aparato sofisticado, a geração de volume chamou a atenção de instituições financeiras, um ativo valioso no mercado de crédito.

Perspectivas Futuras da Operação Financeira

A captação dos R$ 100 milhões não resolve todos os desafios, mas eleva o patamar da operação no consignado privado. Ao criar um fundo próprio para este crédito, a empresa deixa de ser apenas uma originadora para terceiros e passa a capturar mais valor na cadeia.

Este movimento é típico de fintechs maduras, mas neste caso, foi acelerado pela necessidade. O plano agora é consolidar essa frente, ampliando a origem de negócios e aprimorando os modelos de análise e distribuição. Trata-se de um mercado mais complexo, com riscos e margens distintas, mas com espaço relevante fora dos grandes bancos.

A trajetória recente demonstra que o negócio evoluiu de uma tese bem executada para uma operação robusta, capaz de reagir com sucesso sob pressão de mercado.

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