Fraternidade São Pio X ordena bispos sem autorização papal

A Fraternidade São Pio X realizou nesta quarta – feira (1º), em uma iniciativa própria e sem autorização papal, a ordenação de quatro novos bispos na cidade de Écône, Suíça. O evento contrariou diretamente um apelo feito pelo papa Leão XIV.
Para o Vaticano, essa cerimônia configura mais do que apenas um desacordo: trata – se de um “ato cismático”. A nomeação desses clérigos fora da chancela papai é vista como ruptura com toda a estrutura hierárquica oficial da Igreja Católica Romana.
Oposição Papal Define Ato Cisma
A legislação interna católica estabelece claramente que ordenar ou receber ordens episcopais sem mandato direto e expresso do Papa implica excomunhão automática para todos os envolvidos. Por isso, ao desconsiderarem pedido formalmente feito pelo pontífice — no qual ele suplicou por uma reconsideração —, tanto o grupo quanto os novos bispos passam automaticamente à condição de apóstatas perante Roma.
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Antes mesmo dos ritos serem realizados, Leão XIV havia enviado um comunicado solicitando a revisão da decisão; “Suplico do fundo do meu coração: reconsiderem a sua decisão!”, escreveu em seu último contato com superior – geral da fraternidade.
O Vaticano também alertou que qualquer sacramento administrado pelos recém – ordenados – como casamentos ou confissões –, deixaria imediatamente de ser reconhecido pela Igreja Católica oficial.
Defesa Tradicionalista e Rejeição ao Status Quo
A Fraternidade São Pio X é uma organização tradicionalista fundada pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre entre 1970 e o ano de 1991, reunindo cerca de meio milhão de fiéis globalmente segundo estimativas do grupo. Os membros defendem rigorosamente a doutrina litúrgica católica em sua interpretação mais antiga possível.
O movimento rejeita as mudanças promovidas durante o Concílio Vaticano II na década de 1960 tempo atrás. Durante os trabalhos da cerimônia nesta quarta – feira (1º), padre Davide Pagliarani, superior – geral dos religiosos, confrontou abertamente acusações sobre ruptura com Roma ao afirmar: “Para manter a fé, será que estamos rompendo com a Igreja?
Este dilema é falso”.
Visão Interna e Expansão do Episcopado
Os integrantes insistem publicamente que sua ação não constitui uma rebelião contra papas ou autoridades romanas; para eles, o ato nasce puramente “do amor pela Igreja”. Padre Michel Rion, professor de Teologia no seminário local em Écône, reforçou essa ideia à AFP.
Ele declarou ainda ser impossível qualquer coisa cismática nas ações da Fraternidade São Pio X.
A justificativa apresentada pelo grupo foi a necessidade urgente de ampliar seu episcopado ativo na região. Até aquele momento, contavam com apenas dois bispos operantes — número considerado insuficiente diante do desejo de expansão global e manutenção das suas práticas doutrinárias tradicionais.
Histórico: Conflitos Passados até o Presente
O desafio direto ao Vaticano não é um evento isolado para os membros desta fraternidade católica conservadora. Já em 1988 houve uma tentativa similar quando João Paulo II tentou impedir que Marcel Lefebvre realizasse ordenações; essa vez também foram ignoradas as ordens papais da época.
Apesar dos conflitos recorrentes, a Fraternidade São Pio X afirma hoje sua presença por sete países diferentes distribuídos pelos seis continentes e possui cerca de setecentos cinquenta sacerdotes ativos no total do grupo religioso na Suíça. Écône
Autor(a):
Redação ZéNewsAi
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