Empresas Adotam Vídeos de Funcionários no Processo Seletivo
Em um movimento crescente, algumas empresas, principalmente nos Estados Unidos e na Europa, estão incorporando uma nova ferramenta em seus processos seletivos: vídeos curtos produzidos por funcionários sobre sua rotina de trabalho, os bastidores da empresa e a cultura organizacional.
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Essa abordagem, que antes era vista com cautela, está sendo reconhecida como um recurso valioso para comunicação e engajamento.
Angélica Madalosso, especialista em employer branding e CEO da ILoveMyJob, destaca que essa tendência reflete uma mudança no comportamento dos candidatos, que buscam uma visão autêntica da experiência de trabalho, em vez de mensagens padronizadas e controladas.
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Vídeos feitos por aqueles que vivem a rotina, segundo ela, reduzem a distância entre o que a empresa diz e o que realmente acontece.
A habilidade de produzir vídeos está frequentemente associada a funções em comunicação, relacionamento com o público ou ações de branding. A capacidade de explicar processos e práticas de forma clara e acessível ajuda os candidatos a entenderem a cultura da empresa antes da contratação.
No entanto, Madalosso ressalta que isso não transforma o funcionário em porta-voz oficial, mas sim em uma ferramenta complementar no processo seletivo.
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Um ponto crucial é a forma como essa expectativa é apresentada. Quando a habilidade em vídeo é oferecida de forma explícita e voluntária, o processo tende a ser mais transparente. Se surge de maneira implícita, pode gerar distorções, especialmente em funções que não exigem exposição pública.
A equidade também é fundamental, pois nem todos os profissionais se sentem confortáveis com câmeras e redes sociais.
Segundo Madalosso, os riscos não estão no formato, mas na condução. Problemas surgem quando a produção de conteúdo não é reconhecida como trabalho, quando funcionários se sentem expostos de forma permanente ou quando faltam orientações claras.
A empresa deve garantir que a expectativa de exposição não cresça mais rápido que a estrutura de suporte.
A presença de funcionários como criadores de conteúdo sinaliza uma mudança na forma como as empresas comunicam sua cultura. A organização deixa de ser a única narradora e divide esse papel com quem vive a rotina. O sucesso dessas iniciativas depende da coerência entre discurso e prática.
Conteúdos só funcionam quando refletem o que acontece no dia a dia.
O desafio está em incorporar essa habilidade com responsabilidade, sem tratá-la como solução simples para questões estruturais de gestão.
