Gabriel Galípolo reforça cautela monetária após incertezas globais. Saiba como o BC avalia o cenário e o futuro da Selic!
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, enfatizou nesta segunda-feira, dia 6, a importância de manter a cautela na condução da política monetária. Essa declaração surge em um momento de mudanças no cenário econômico e com o aumento das incertezas vindas do exterior.
Em um evento realizado na Fundação Getúlio Vargas (FGV), Galípolo mencionou que tem usado frequentemente o termo “cautela”, associando-o à necessidade de serenidade nas decisões. Segundo ele, essa abordagem permite uma análise mais precisa do ambiente econômico e ajuda a tomar decisões mais seguras.
O presidente do BC avaliou que a postura cautelosa adotada desde 2020 foi fundamental para gerenciar sucessivos choques de oferta de maneira mais controlada. Ele ressaltou que esse período resultou em um crescimento econômico próximo ao potencial e em estabilidade cambial.
Contudo, Galípolo apontou que o mercado de trabalho ainda enfrenta pressões e que as expectativas de inflação demonstram sinais de desancoragem. Na semana anterior, ele já havia sinalizado uma condução mais conservadora da política de juros.
O cenário foi significativamente alterado após a intensificação do conflito. O aumento dos preços das commodities energéticas passou a pressionar os custos e, consequentemente, a inflação, um fator não previsto anteriormente.
Em janeiro, o Banco Central havia sinalizado o início de um ciclo de cortes na Taxa Selic, que está em 14,75% ao ano, a partir da reunião de março do Comitê de Política Monetária (Copom). Com o novo contexto, economistas e agentes de mercado começaram a revisar as projeções para a trajetória dos juros.
Mesmo diante das incertezas, o mercado ajustou suas expectativas. Antes da escalada do conflito, estimativas apontavam que a Selic poderia fechar o ano em 12%, conforme o Boletim Focus. Na edição mais recente, divulgada nesta segunda-feira, essa projeção subiu para 12,5% ao final do ano.
As revisões também refletem a elevação nas estimativas para o IPCA, o índice oficial de inflação calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Anteriormente, a expectativa era de alta de 3,91% em 2026, próxima da meta de 3,5%.
Na atualização mais recente do Focus, a projeção para o IPCA elevou-se para 4,36%, aproximando-se do limite superior da meta, que estabelece um teto de 4,5% dentro do intervalo de tolerância.
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