Governo estuda crédito especial para fertilizantes; Lula e FPA detalham o futuro do agronegócio

Governo avalia crédito especial para fertilizantes! Lula e setor rural buscam juros menores no Plano Safra. Saiba como isso muda o agronegócio.

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(Imagem de reprodução da internet).

Governo Estuda Linha de Crédito Especial para o Setor de Fertilizantes

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia a criação de uma linha de crédito dedicada ao setor de fertilizantes. A expectativa é que este anúncio ocorra entre junho e julho deste ano, embora a proposta ainda esteja em fase de discussão e necessite de mais detalhes.

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Arnaldo Jardim, deputado de Cidadania-SP e vice-presidente da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), comentou que o objetivo é oferecer financiamento com condições mais vantajosas para os produtores rurais. Ele mencionou a possibilidade de incluir um crédito específico para fertilizantes, visando apresentar uma proposta ao governo para obter juros menores no Plano Safra.

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Financiamento Atual e Mecanismos de Apoio ao Agronegócio

Atualmente, o financiamento para insumos agrícolas ocorre majoritariamente por meio de programas amplos de crédito rural. Nesses casos, os fertilizantes são incorporados às linhas de custeio, que cobrem a compra de sementes e defensivos.

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Além disso, os produtores têm acesso a recursos via Pronaf e Pronamp, além de outras modalidades como crédito de tradings, cooperativas, operações de barter e financiamento privado. Interlocutores governamentais indicam que a nova medida seguirá o modelo usado para combustíveis e outros setores impactados, utilizando crédito subsidiado para controlar os preços na cadeia.

Impactos Geopolíticos e a Dependência de Insumos

A avaliação interna aponta que o cenário geopolítico elevou o risco de abastecimento, reforçando a necessidade de ferramentas financeiras que garantam previsibilidade ao setor. Essa preocupação ganhou destaque após a escalada de conflitos envolvendo o Irã.

O Brasil possui alta dependência de importações de fertilizantes, sendo a ureia um item crucial para culturas como o milho. Em 2025, o país importou 43 milhões de toneladas, segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA), representando um aumento de 7,7% em relação ao ano anterior.

Panorama da Produção e Desafios Estruturais

A produção nacional de fertilizantes atingiu 7 milhões de toneladas em 2025, um avanço de 2,5%, mas ainda abaixo dos níveis registrados em 2022. Os insumos mais consumidos no Brasil pertencem ao complexo NPK — nitrogênio, fósforo e potássio.

O potássio lidera o consumo, seguido pelo fósforo e, por último, pelo nitrogênio.

Em 2022, o Brasil implementou o PNF, em resposta ao conflito entre Rússia e Ucrânia. O PNF estabelece uma meta ambiciosa de reduzir a participação de insumos importados de 85% para 50% no consumo nacional até 2050.

Propostas para Fortalecer a Produção Doméstica

“O avanço foi muito pequeno. Por isso, decidimos retomar essa discussão. Há um conselho constituído, o Confert, e queremos que ele funcione de forma mais efetiva. Para isso, reconhecemos a necessidade de fechar um pacote de incentivos fiscais e subsídios que viabilize esse processo”, declarou Jardim.

Além do crédito, há discussões sobre ampliar a oferta de gás natural, um insumo vital para fertilizantes nitrogenados, e acelerar o licenciamento ambiental. Segundo o parlamentar, a morosidade no licenciamento tem sido um fator que desestimula a produção de fertilizantes no país.

Ações Governamentais para Mitigar Instabilidades Globais

A FPA tem articulado propostas junto ao governo visando reduzir a dependência externa e fortalecer a produção nacional. Essas iniciativas fazem parte de um esforço maior para amenizar os efeitos da instabilidade global em setores estratégicos.

Recentemente, foi anunciado um pacote de medidas que inclui desoneração tributária, linhas de crédito e reestruturação financeira de empresas. Adicionalmente, o governo editou a Medida Provisória 1.345/26, que disponibiliza recursos até para empresas afetadas pelo cenário externo, dentro do Plano Brasil Soberano, com operações realizadas pelo BNDES.

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