Saúde

Governo rastreia perigo de contaminação por frutos do mar que pode levar à amnésia no litoral de SP


Governo rastreia perigo de contaminação por frutos do mar que pode levar à amnésia no litoral de SP
(Foto Reprodução da Internet)

O litoral norte de São Paulo corre o risco de ter ostras e mexilhões contaminados por microalgas marinhas chamadas Pseudo-nitzschia. Essas microalgas produzem substâncias tóxicas que podem causar diversos sintomas no corpo humano, desde problemas no sistema digestivo até alterações neurológicas, como perda de memória e convulsões.

Segundo a Secretaria de Estado da Saúde (SES), até quarta-feira passada (20), não foram encontradas toxinas prejudiciais à saúde da população nos moluscos.

Ainda não liberaram os resultados das análises dos mexilhões do litoral de Caraguatatuba.

Na sexta-feira (15), a Prefeitura de Caraguatatuba recebeu um relatório da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (SAA) informando sobre o aumento das microalgas marinhas na água do mar. Agora a prefeitura aguarda os resultados de um novo teste.

A Secretaria de Meio Ambiente, Agricultura e Pesca, juntamente com a Vigilância Sanitária, recomendam que os maricultores e comerciantes da cidade parem temporariamente de vender e consumir moluscos, a fim de evitar um problema chamado de “envenenamento amnésico”.

A SAA e a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), juntas a SES, elaboraram um o Plano de Contingência para possível contaminação.

O Instituto de Pesca, que é relacionado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento, removeu os mexilhões dos locais onde foram encontradas microalgas tóxicas na água. Realizaram-se análises laboratoriais nas amostras dos mexilhões.

A Secretaria de Saúde (SES) está orientando os municípios do litoral norte sobre a importância de vigiar e notificar casos suspeitos de contaminação. Até agora, a Prefeitura de Caraguatatuba ainda não registrou notificação de sintomas de contaminação em suas unidades de saúde.

A prefeitura avisou as unidades de emergência e saúde para prestarem atenção nos pacientes com sintomas mencionados e consultarem se eles comeram moluscos recentemente.

Contaminação da cadeia alimentar

As microalgas do gênero Pseudo-nitzschia são comuns no ambiente costeiro e fazem parte da cadeia alimentar dos ecossistemas marinhos — servindo principalmente como alimento dos organismos consumidores primários, como moluscos bivalves e peixes filtradores, como as sardinhas, que filtram a água do mar em busca de alimentos microscópicos.

“Elas são como plantas no ambiente terrestre: fazem fotossíntese e servem como primeira fonte de energia para outros seres vivos”, explica Luiz Laureno Mafra Jr, oceanógrafo doutor em Biologia e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em entrevista.

Algumas microalgas podem produzir uma substância chamada Ácido Domóico (AD), que é tóxica para o sistema nervoso. No entanto, nem todas as microalgas produzem essa substância em quantidades suficientes para causar problemas.

O perigo aumenta quando há o fenômeno chamado de Floração de Algas Nocivas (FAN), que ocorre quando algas produtoras de AD se multiplicam e dominam a água do mar.

O professor fala sobre algumas ações causadas pelo ser humano que podem prejudicar o ambiente marinho. O aquecimento global, que aumenta a temperatura dos oceanos, e o despejo de esgoto no litoral, que causa o processo de eutrofização. Essas ações podem levar a um desequilíbrio no ambiente marinho, permitindo que esses microrganismos se proliferem mais facilmente.

O envenenamento amnésico ocorre quando uma pessoa é exposta a toxinas que podem afetar sua memória. Este tipo de intoxicação pode causar perda de memória temporária ou total. O envenenamento amnésico pode ocorrer de diferentes maneiras, como ao consumir frutos do mar contaminados ou entrar em contato com produtos químicos nocivos. É importante estar atento aos sinais de envenenamento amnésico e buscar tratamento adequado se necessário.

Com as microalgas AD se multiplicando rapidamente, mais alimentos com toxinas estão disponíveis no ecossistema. Isso pode contaminar os moluscos filtradores, como mexilhões, ostras e vieiras, além dos peixes, como sardinhas, que também filtram a água do mar e podem armazenar as toxinas em seus tecidos.

Esses animais podem acumular substâncias prejudiciais e transmiti-las para outros organismos que as ingerem. Nas aves e mamíferos marinhos, por exemplo, a toxina afeta o sistema nervoso central, especificamente ligando-se aos receptores do neurotransmissor glutamato.

“A toxina engana nossos receptores porque sua estrutura molecular é parecida. Isso desencadeia reações que podem causar a morte dos neurônios quando há concentrações muito altas”, declara.

O uso excessivo dessa substância pode causar a perda de neurônios, principalmente na região do hipocampo, que é responsável pelo aprendizado e memória, resultando em sintomas parecidos com amnésia.

A contaminação em pessoas causa sintomas de problemas no estômago nas primeiras 24h, como diarreia, dores na barriga, vômitos e, em casos mais sérios, sintomas no cérebro, como dores de cabeça, dificuldade de raciocínio, convulsões e perda de memória após 48h da contaminação.


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