Governos Europeus Negociam Repatriação de Afegãos em Bruxelas

Governos europeus buscam repatriação de afegãos em meio a críticas e desafios humanitários

23/06/2026 13:14

3 min

Membros das forças de segurança do Taleban operam uma metralhadora antiaérea e vigiam possíveis ataques aéreos paquistaneses perto da Linha Durand, no distrito de Gurbuz, província de Khost, em 27 de
Membros das forças de segurança do Taleban operam uma metralhado...

Representantes de governos europeus estiveram em Bruxelas, nesta terça-feira 23, em negociações com a União Europeia sobre a possível repatriação de imigrantes afegãos. O encontro técnico, que gerou fortes críticas de organizações de direitos humanos, buscou estabelecer mecanismos para o retorno de cidadãos do Afeganistão, apesar do não reconhecimento do regime talibã pela União Europeia desde o seu retorno ao poder em 2021.

A reunião, que contou com a participação de aproximadamente quinze Estados-membros, teve como objetivo dar continuidade às discussões técnicas que haviam ocorrido em Cabul em janeiro de 2026. O foco principal das conversas foi a identificação dos indivíduos a serem repatriados, a emissão de documentos de viagem e os procedimentos necessários para o retorno seguro dos imigrantes.

Discussões Técnicas sobre Repatriação e Segurança

Markus Lammert, porta-voz da Comissão Europeia, confirmou que o encontro foi uma reunião de natureza “técnica” com as autoridades afegãs de fato. Essas autoridades são as responsáveis, segundo o relato, pelo processo de retorno e readmissão dos imigrantes no país.

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Segundo informações divulgadas em Bruxelas, alguns países da União Europeia manifestaram o desejo de priorizar o retorno ao Afeganistão de indivíduos específicos. O foco seria em pessoas que, segundo a perspectiva europeia, representam uma ameaça à segurança ou que cometeram crimes de natureza grave.

A escala do fluxo migratório é significativa. A agência de estatísticas do bloco europeu informou que os países da UE receberam quase um milhão de pedidos de asilo de afegãos no período compreendido entre 2013 e 2024. Estima-se que cerca da metade desses pedidos tenha sido aprovada e processada pelo bloco.

Apesar do diálogo técnico, o Comissário Europeu de Migração, Magnus Brunner, manteve uma postura política clara. Ele afirmou que a União Europeia não reconhecerá o regime talibã, mas ressaltou a importância de manter canais de diálogo com as autoridades locais.

Controvérsias e Críticas de Direitos Humanos

Apesar do tom técnico dado pelas autoridades, a iniciativa de negociar com o regime talibã gerou repercussão negativa entre ativistas e grupos de direitos humanos. Organizações não governamentais manifestaram preocupações sobre a credibilidade internacional da União Europeia.

A ativista Malala Yousafzai expressou seu choque com a visita e criticou o movimento, acusando explicitamente os talibãs de perseguição sistemática contra mulheres e meninas no Afeganistão.

Neste contexto, a Human Rights Watch (HRW) emitiu uma denúncia formal, alertando que a cooperação da UE com os talibãs em processos de deportações forçadas pode minar drasticamente a credibilidade moral e política do bloco europeu no cenário internacional.

Os representantes do governo negociaram em Bruxelas a possível repatriação de imigrantes afegãos, apesar das fortes críticas de organizações de direitos humanos.

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