Saúde

Grávida cega fica emocionada quando sente o rosto da filha em modelo 3D


Grávida cega fica emocionada quando sente o rosto da filha em modelo 3D
(Foto Reprodução da Internet)

A nova técnica de impressão em 3D do rosto do bebê trouxe uma grande novidade para gestantes e familiares com deficiência visual. Agora, os cegos podem sentir o rosto do filho em desenvolvimento e conhecer o bebê através do toque.

Mellina Reis, de 40 anos, é cega e está grávida pela primeira vez. Em 8 de novembro, ela fez um ultrassom e conseguiu sentir o rosto de sua filha, Sofia, graças a uma réplica digital do ultrassom.

“Para a minha mãe e o meu marido, que estão participando ali do ultrassom, eles estão vendo. Eu sei o que eles vão me descrevendo, mas nossa forma de ver (quando a pessoa é cega) é tocando”, disse.

Por meio das redes sociais, a turismóloga é conhecida pelo perfil 4 Patas pelo Mundo. Ela descreve as aventuras ao lado do seu cão-guia chamado Hilary, além de abordar temas como acessibilidade. Agora, também tem compartilhado suas experiências como gestante e deficiente visual.

“Poder tocar e criar através do toque, o rosto da minha filha, é muito importante. Conseguir sentir como é o rostinho da minha filha ainda dentro do meu útero. Foi algo muito emocionante. O projeto me proporcionou ter essa experiência incrível”, afirmou Mellina após receber do marido, o administrador Renato Durval, a impressão em 3D do rosto da menina, cujo nascimento está previsto para fevereiro de 2024.

Um ginecologista e obstetra chamado Heron Werner, especialista em medicina fetal, é um dos responsáveis pelo projeto. Ele trabalha no Alta Diagnósticos, que faz parte da rede de saúde chamada Dasa. A ideia surgiu de uma parceria entre a Clínica de Diagnóstico por Imagem (CDPI/Dasa) e a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). O projeto de impressão de modelos 3D de fetos para pessoas com deficiência começou em 2011.

Nós pesquisamos como conseguir imagens sem invasão em exames médicos e queremos criar cópias tridimensionais físicas dessas imagens usando impressoras 3D. Começamos a estudar se essa tecnologia pode ajudar mães com deficiência visual a se conectar com seus bebês antes mesmo de eles nascerem. Isso é o que o Werner nos conta.

A impressão em 3D dos fetos é útil tanto para casais com deficiência visual, como para a realização de cirurgias em bebês com má-formação congênita. Com os modelos impressos, os médicos podem planejar as cirurgias que devem ser realizadas logo após o nascimento ou nos primeiros meses de vida.

As unidades do Alta Diagnóstico em São Paulo e no Rio de Janeiro agora oferecem a oportunidade de registrar o desenvolvimento do bebê, algo que antes estava disponível apenas para pessoas com deficiência. Desde o começo do ano, qualquer pessoa pode adquirir a impressão em 3D.

Para isso, a paciente precisa realizar um ultrassom de sua rotina pré-natal entre a 26ª e a 32ª semana e é importante que o rosto do bebê esteja visível durante o exame.

Depois do exame é feito, a imagem é impressa no Laboratório de Biodesign Dasa/PUC-Rio e você recebe em até sete dias úteis. Custa R$350, mas se você for deficiente visual, a impressão em 3D é gratuita.

O Laboratório de Biodesign Dasa faz parte do Departamento de Artes e Design da faculdade (PUC-Rio). Seu objetivo é progredir nas pesquisas de tecnologias 3D nas áreas de medicina fetal, neurologia, cardiologia, ortopedia e transplantes.


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