Organizações de direitos humanos e feministas no Peru manifestaram sérias preocupações com a nomeação de Gustavo Balcázar como presidente interino do país. A decisão, tomada nesta quinta-feira (19), gerou instabilidade e questionamentos devido ao histórico do político, marcado por declarações polêmicas sobre o tema de relações sexuais com menores de idade.
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A situação se agrava com o recente impeachment do anterior chefe de Estado, José Jerí, em meio a acusações de corrupção, que levou Balcázar a assumir o cargo de forma automática, conforme as leis peruanas.
Histórico Controverso e Críticas
O principal motivo da apreensão reside nas declarações de Balcázar em 2023, durante um debate sobre a proibição do casamento infantil. Ele afirmou que “relações sexuais precoces ajudam no desenvolvimento psicológico futuro das mulheres”, um comentário que gerou indignação e críticas de diversas instituições e organizações.
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A declaração foi considerada grave e preocupante, levantando questões sobre a percepção da violência sexual contra meninas e adolescentes. A Coordenadoria Nacional de Direitos Humanos (CNDH) expressou sua legítima preocupação com a nomeação, destacando a necessidade de proteger crianças e adolescentes.
Reações de Organizações e Denúncias
Diversas organizações, como o Centro da Mulher Peruana Flora Tristán, consideraram a nomeação de Balcázar como um reflexo da crise ética e democrática no país. A organização enfatizou que minimizar a violência contra mulheres e meninas representa uma atitude complacente em relação ao abuso.
A CNDH também classificou as declarações de Balcázar como violações dos padrões internacionais de proteção integral de crianças e adolescentes, evidenciando a gravidade da situação.
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Resposta de Balcázar e Investigações em Andamento
Balcázar defendeu sua posição, classificando as críticas como “lendas” fabricadas com o objetivo de distorcer suas palavras. Ele ressaltou sua “trajetória impecável” e acusou seus detratores de tirarem seu discurso de contexto. Adicionalmente, Balcázar enfrenta investigações por apropriação ilícita de fundos e suposta corrupção, o que intensifica a crise política no Peru, que deverá ter um novo presidente em julho, após as eleições presidenciais de abril.
