Haiti se prepara para Mundial de 2026 com projeto brasileiro

As seleções nacionais de futebol do Haiti se preparam para a segunda rodada da fase de grupos da Copa do Mundo de 2026. O confronto será realizado na Filadélfia, nos Estados Unidos, e está programado para começar às 21h30, horário de Brasília.
Um aspecto notável da equipe haitiana é a trajetória de quatro de seus atletas, cujas carreiras estão intrinsecamente ligadas a um projeto social de formação esportiva criado por brasileiros no Caribe.
A Origem do Projeto Pérolas Negras e a Missão Brasileira
A relação entre o Brasil e o Haiti ganhou um novo impulso em 2004, um período marcado por instabilidade política no país caribenho. Foi nesse contexto que a ONG Viva Rio iniciou trabalhos no Haiti, a convite da Organização das Nações Unidas (ONU), focando em áreas vitais como educação, saúde e segurança pública.
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O futebol foi rapidamente adotado como uma ferramenta poderosa de inclusão social e desenvolvimento juvenil. Dessa iniciativa nasceu a Academia Pérolas Negras, um projeto que visava oferecer mais do que apenas treinamento esportivo. Ele combinava a prática futebolística com acompanhamento educacional, nutricional e de saúde para adolescentes haitianos.
O impacto dessa colaboração foi tão grande que, em 2016, o projeto expandiu suas operações, estabelecendo uma sede no Rio de Janeiro. A partir desse momento, os atletas do Pérolas Negras passaram a participar de competições oficiais no Brasil, inicialmente com equipes compostas por haitianos e refugiados, e participando de edições da Copa São Paulo de Futebol Júnior em 2016 e 2017.
Trajetórias de Atletas Formados no Brasil
Quatro jogadores que compõem o elenco haitiano e que estão em campo para o Mundial de 2026 passaram por essa formação brasileira. Eles representam a materialização do sucesso do projeto social.
Josué Duverger, goleiro de 25 anos, foi um dos primeiros a ser formado pela Academia Pérolas Negras ainda no Haiti e hoje é considerado uma opção importante para a posição na seleção nacional haitiana.
Carlens Arcus, lateral-direito de 29 anos, é um dos jogadores mais experientes do grupo. Após passar pelo programa, ele construiu uma carreira internacional sólida, atuando atualmente pelo clube Angers, na França.
O meio-campista Danley Jean Jacques é um dos nomes de maior destaque. Aos 26 anos, ele defende o Philadelphia Union, nos Estados Unidos, e integra o time principal do Haiti. Sua jornada inclui a passagem pela base do projeto no Rio de Janeiro e a participação na Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2017, além de atuar pelo Metz na França.
Derrick Etienne, atacante que também joga no futebol dos Estados Unidos, também teve parte de sua formação ligada à Academia Viva Rio. Seu desenvolvimento no projeto o levou a integrar a seleção principal do Haiti.
A influência brasileira no futebol haitiano também foi marcada por momentos históricos, como o “Jogo da Paz” em 2004. Naquela ocasião, a seleção brasileira, liderada por ídolos como Sócrates e Zico, realizou um amistoso em Porto Príncipe. Embora o resultado tenha sido uma vitória brasileira por 6 a 0, o evento foi celebrado pela população haitiana, que focou na presença dos craques e transformou o dia em um momento de grande celebração cultural.
A história do Pérolas Negras e dos atletas que passaram por ele demonstra como o esporte pode ser um vetor de desenvolvimento social e profissional, conectando o Haiti ao cenário esportivo mundial.
A trajetória desses jogadores reforça o poder da iniciativa social brasileira de transformar vidas e elevar o nível do futebol haitiano.
Autor(a):
Redação ZéNewsAi
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