Planta Amazônica Promete Alívio para Dependência e Doenças Neurodegenerativas
Uma planta que antes era vista como praga na Amazônia pode ser a chave para combater a dependência química, traumas cerebrais e doenças neurodegenerativas, como o mal de Parkinson. A startup Hylaea é responsável pelo primeiro estudo que encontrou a matéria-prima para a produção da ibogaína no Brasil.
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O farmacêutico e CEO da startup, Ricardo Marques, explica que a ibogaína atua diretamente nos neurotransmissores, aliviando as sensações causadas por substâncias como cocaína, crack e heroína. “Uma dose pode abrir uma janela de 6 a 8 meses sem a vontade de provar o opioide, criando uma oportunidade para que o usuário se afaste do problema”, afirma.
Da Pesquisa ao Desenvolvimento
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A pesquisa começou em 2017, quando Marques ainda era coordenador da graduação em Farmácia em uma universidade particular no Acre. Um colega o incentivou a estudar a ibogaína, e ele, com sua expertise em química de produtos naturais, decidiu seguir essa linha.
A pesquisa avançou lentamente até 2021, quando inscreveu o estudo em um edital do Sebrae, o Inova Amazônia, e foi aprovado.
Em 15 dias, o Sebrae anunciou a Rio Innovation Week e, dos 50 negócios participantes do Acre, escolheram o projeto de Marques. “Foi meu primeiro contato com inovação e startup”, conta. Em janeiro de 2022, ele pediu demissão da universidade e se dedicou integralmente ao projeto, conseguindo extrair o primeiro lote da matéria-prima em três meses.
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Escalando a Produção
Em abril de 2023, a Hylaea foi aprovada em uma competição de startups do Idesam, recebendo R$ 530 mil, o primeiro aporte de recursos. A startup contratou uma indústria no Paraná, com maquinário suficiente para acelerar a escala da extração da voacangina, a matéria-prima da ibogaína.
Em fevereiro de 2025, Marques mudou-se para o Paraná para desenvolver o processo. Em parceria com a Embrapa e a Universidade de São Paulo (USP), pesquisadores estão otimizando os parâmetros da síntese em reatores, pensando em escala industrial. A expectativa é que a nova instalação possa tornar possível a produção da ibogaína no Brasil.
Primeiras Exportações e Novas Perspectivas
As primeiras vendas da Hylaea, realizadas no final de 2025 e início de 2026, foram de lotes da voacangina para uma companhia americana que tem a autorização para produzir a ibogaína. “Fechamos 2025 com a primeira exportação. O volume foi pequeno, mas ficamos bem felizes porque passou em todos os testes de qualidade”, celebra Marques.
A startup pretende consolidar a Hylaea como referência global na produção de voacangina, oferecendo uma alternativa à África com escala, qualidade e integridade do material. A meta para 2026 é ter as primeiras vendas de ibogaína.
